Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Governo omite valor das renúncias fiscais dos frigoríficos, sugerindo estabelecer mera pressão para previsíveis distensões. Perde oportunidade de ser levado a sério nas ações no setor

luizarmandocosta 06/10/2019 502 visualizações

O governo enfrentando resistências cada dia maiores quanto aos benefícios fiscais dos frigoríficos. Uma bobagem: era só exigir a contrapartida ou fazer estudos de sua relevância. De modo como diferente como reage, quando favorece a conversa fiada amplificada pelos parlamentares, eleitos e pagos para defender o contribuinte e não os grandes grupos empresariais que já tem suas defesas. O patrão de deputados e governos é a população.

Os empresários, evidentemente, fazem o seu papel: reivindicam benefícios afinal dependem da relação custo benefício para seus lucros. O Estado, por outro lado, necessita de seus investimentos. Os governos se equilibram, entretanto, numa chantagem: a possibilidade de os frigoríficos fecharem suas plantas no Estado e gerarem mais desemprego. Citam 6 mil ocupações.  Veladamente, sugerem, nos bastidores, apoios de campanha. Caixa dois porque empresas não podem contribuir com campanhas eleitorais, conforme a legislação em vigor.

Se considerarmos o salário mínimo e o valor das renúncias de todos os setores (R$ 470 milhões em 2019) e o volume apontado pelo TCE nos últimos três anos, as renúncias equivaleriam a 43 mil empregos por ano. O desemprego no Estado está na faixa dos 80 mil!! Uma conta falaciosa diante dos números das ocupações identificadas pelo IBGE na última PNAD. Sem rendimento elevam-se a 600 mil. Um PIB de R$ 31 bilhões que se alardeia na hora e forma convenientes.

E também uma idiotia já que o Estado tem um dos maiores rebanhos do país e mercado internacional é o que não falta à carne. Ao contrário do produto dos frigoríficos cada dia mais sendo substituído pela soja. Subsídios à larga. Sem a carne, os frigoríficos quebrariam ou sequer existiriam.

E o mundo não come carne de soja como degusta carne bovina. Deixando um frigorífico, outros virão pela supremacia do produto sobre o processador. Este, não vive sem aquele. Já aquele, é o regulador do mercado, é a parte essencial na cadeia. No Congresso, a guerra fiscal camicase entre Estados está próxima do fim.

No Estado (e no país) a substituição da criação de gado pela cultura de soja não é mais só uma evidência, é fato. Como no planeta não falta comprador e consumidor de carne bovina, a prioridade nessa cadeia seria o produtor e não o frigorífico, um mero atravessador e processador.

Repito: o Estado tem algo próximo de 8 milhões de cabeças. Uma relevante oferta na relação com a demanda. Sai um frigorífico, entra outro. É a lógica de mercado tão adotada pelos empresários e que deveria ser levada em conta também pelos governos em favor da população. Mas que nessa hora tem relação invertida e parlamentares a endossam sem qualquer desfaçatez quando entre o contribuinte e o empresário, escolhem o primeiro.

Mas eles, governos e frigoríficos (não sem a ajuda parlamentar) ficam fazendo firula. O governo suspendeu os benefícios e agendou reunião para discutir o assunto. É o mesmo governo que omite o volume total das renúncias fiscais aos frigoríficos ao longo dos anos. O TCE informa que há R$ 1,142 bilhões de renúncias sem demonstração de contrapartida em todos os setores.

O governo não os individualiza, contrariando a lei da transparência pública. Se está tudo correto ou incorreto, por que motivos esconderia os números é uma incógnita que diminui do ponto de vista ético e moral a equação e escurece a decisão do governo de saneá-la sugerindo representar mero estabelecimento de pressão e, por consequência, provocadores de expedientes não republicanos de distensão em ano pré-eleitoral.

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