O governo decidiu raspar o tacho para fechar o ano. Publicou a abertura de crédito adicional e suplementar no valor de cerca de R$ 4 bilhões.
O governo não esperou o decreto de transição: mandou logo (na quarta) a movimentação de crédito suplementar e crédito adicional suplementar.
Numa metáfora, deslocou essa montanha de orçamento e financeiro não utilizado de secretaria para outra para equalizar as contas. Tirou de um e mandou para outro.
No popular: o governo tenta suprir Secretarias para que não fiquem sem orçamento ou financeiro para fechar o ano. Apesar de já ter decretado um contingenciamento.
É uma medida legítima e legal. Mas não legitima sua causa.
Como o governo publicou só agora (na última quarta) os decretos (são vários) de junho e julho de 2026) com essa movimentação bilionária, o expediente encobre o descontrole pretérito.
Haveria, assim, secretarias sem orçamento ou financeiro desde junho. Desorganização total.
E aí talvez explique a inadimplência com fornecedores e prestadores de serviço.
O governo teria assim, agora, não só um novo orçamento (de dois meses) mas uma raspagem do orçamento para fechar as contas.
Significa que num orçamento de R$ 19 bilhões (LOA/2026), cerca de 21% não tem eira nem beira apenas de junho para cá. E já sob contigenciamento decretado em agosto.
E estamos já entrando em novembro.


