O governo tem feito o dever de casa na questão fiscal. Mas tem ficado indiferente à dívida que vai deixando com os salários (segue como governos anteriores pagando apenas o líquido).
Por outro lado, reduziu a folga concedida pela regra de ouro (da Constituição e Lei de Responsabilidade Fiscal) aumentando, por consequência, a indisponibilidade de opções.
De 2020 a 2021 o Executivo elevou em 131,8% a sua participação na regra de ouro. Ela é um mecanismo que proíbe o governo a fazer dívidas para pagar despesas correrntes como salários, benefícios de aposenegadoria, contas de luz e outros custeios da administração.
Em 2021, o governo fazia uso de 20,48% da regra de ouro. Este ano o aproveitamento subiu para 47,51%. Muito embora ainda dentro do limite, a variação indica que o governo anda fazendo uso da regra de ouro apesar dos sucessivos recorde de arrecadação e elevação das transferências federais.
A situação sugere que tem gasto fora do prumo.


