Nas redes sociais tem surgido críticas ao Decreto 6230/21 do governo publicado na última sexta. Há na reação um mix de burrice, má fé, ignorância e populismo político com interesses eleitorais. Superada a questão comercial, trazem à tona, agora, a liberdade de ir e vir e de expressão, como se o dispositivo afrontasse os direitos individuais e coletivos. Pelo contrário, se dá justamente em sua defesa.
Convenientemente fazem conexão da decisão (inteligente, que se diga) do governo de mobilizar o aparato de segurança nas redes sociais para identificar aglomerações e monitoramento do isolamento social por meio dos aparelhos celulares.
O expediente já é utilizado na maioria dos Estados. O governo do Tocantins, aliás, chega atrasado na reação. Em São Paulo, por exemplo, a polícia monitora as redes sócias para descobrir festas clandestinas e faz uso também de celulares para identificar o isolamento social.
Aliás tem empresas que prestam esse serviço. Basta ir ao google. Identificar movimentação de celulares não é quebrar sigilo. Entrar no facebook, twitter, instagran ou qualquer rede social, não é crime. Delito é realizar festa clandestina em plena pandemia que exige o isolamento social.
Do ponto de vista da oportunidade da medida do governo, o Estado ontem registrava 126 mil e 131 casos e 1.697 óbitos. Foram 6.800 casos em uma semana (crescimento de 6%). E 103 mortes no período. Ou seja, uma média de 14 óbitos a cada 24 horas. Tinha um índice de contaminação de 8 mil contaminados por 100 mil habitantes. No país, este índice era de 5.464/100 mil. Ou seja, se contamina no Tocantins uma vez e meia mais que no país.
Na Capital, a situação era pior: o índice de contaminação batia nos 10.593/100 mil. O maior índice de contaminação do Estado. Foram 21 mortes na cidade em uma semana e 2.228 novos contaminados. Um crescimento de 7,1% de óbitos e 6,4% nos caso em sete dias.
Por outro lado, os leitos de UTI Covid-19 nos hospitais públicos e privados estão colapsados e o governo busca contratar novas unidades que dependem também da existência de pessoal disponível.
O governo agiu corretamente, sim, ao recrudescer a ação contra os que desrespeitam a normas sanitárias. É um grupo minoritário que quer impor o obscurantismo e mais mortes à maioria silenciosa que segue as regras em sua própria defesa, de seus familiares e amigos.
Cana naqueles que descumprirem é o mínimo que deve fazer o aparato de segurança pública do Estado em defesa da população.


