Sábado, 24 de Out de 2026

Governo acerta: mesmo que contrate entidade, diga que não é hospital de campanha e acene terceirização com hospital não contratado. Em 10 dias, vermelhou de Covid-19 na Capital!!

luizarmandocosta 18/08/2020 368 visualizações

O governo deve disponibilizar amanhã mais 70 leitos na Capital. São anunciadas 10 UTIs. Uma ação que custará aos cofres públicos R$ 20,6 milhões em seis meses. Contrato publicado no último dia 7. Ou seja, não faltariam recursos ao Palácio Araguaia como propagou até aqui a Saúde, contrariamente aos depósitos realizados pelo governo federal que, até a semana passada, elevavam-se a R$ 672 milhões de ajuda só para a Covid. Depósitos no Banco do Brasil.

O governo não se sabe o que esperava para montar os hospitais de campanha que outros Estados  montaram lá em abril. Ontem, por exemplo, acenou com a possibilidade do hospital contratado não se tratar de um hospital de campanha. Informando, inclusive, que o hospital seria estadual e que o contrato poderia ser estendido após a pandemia. Ou seja, usando da pandemia para terceirizar serviços de saúde. Uma confusão.

Na verdade (conforme o contrato publicado) o governo não contratou o hospital. E sim o Instituto Saúde e Cidadania  "que funcionará nas dependências do Centro Oncológico Dr. Jorge Saad (este sim o hospital), localizado na quadra 501 Sul, Rua NS-A, Conjunto 02 ,s/n, Plano Diretor Sul, em Palmas-TO, pelo prazo de até 06 (seis) meses, podendo ser prorrogado por períodos sucessivos, enquanto perdurar a necessidade de enfrentamento dos efeitos da situação de emergência em saúde", como está no Diário Oficial.

Como é notório, terminou contratando uma entidade que contratou o espaço e equipamentos de um hospital já instalado. O que sugere que o Instituto irá apenas administrar os recursos quando o governo poderia contratar diretamente com o hospital os leitos, profissionais e serviços, como já o faz com outros hospitais particulares.

Talvez financeiramente, na escassez de recursos, fosse mais em conta, sem os custos adicionais da intermediação,  uma terceirização sem licitação, mas permitida pela legislação circunstancialmente em função da própria Covid.

Deve ter uma explicação técnica e financeira para o expediente na questão de relação custo/benefício. Mas não é o ponto. Se resolver, os questionamentos jurídicos e políticos que serão inevitáveis poderão ser solucionados depois.

O fato é que o governo agiu. Finalmente deixou a política de lado e a operação conta-gotas e descobriu que Araguaína e Palmas deveriam ser o foco das atenções. Uma obviedade até pelos indicadores demográficos e sociais.

O Palácio (que já tinha contratado leitos e entregue respiradores à prefeitura de Araguaína) aliou-se à Prefeitura de Palmas com novos respiradores e os leitos que podem estar disponíveis nessa quarta.

Com efeito, nos últimos dez dias, enquanto no Estado o número de contaminados aumentava 28%, na Capital os casos de Covid-19 avançaram no patamar de 43,4%. Ou seja, quase o dobro do crescimento de casos no Estado. No mesmo período, os contaminados em Araguaína cresceram 17,5%.

Palmas ontem registrava 9 mil 173 casos, apenas 286 contaminados atrás dos 9 mil e 459 da segunda maior cidade do Estado. Para se ter uma idéia, há dez dias a diferença entre as duas cidades era de 1.558 casos.Araguaína registrava 8.154 e Palmas 6.606.

Nas duas cidades (que juntas tem 30% da população do Estado) estão, hoje, 49,2% de todos os contaminados dos 139 municípios. Não haveria dúvidas de que qualquer política de prevenção e combate deveria ter as duas cidades como prioritárias em função da geopolítica, polaridade regional e população.

Uma projeção de que nelas se teria maior número de casos não seria exercício de premonição ou chutômetro. Estatística simples. O poder público é que chutou pra fora, negligenciando os fatos.

O problema é que, apesar dos esforços de governo e prefeituras, a população continua nas ruas, resistindo às medidas restritivas. Ontem no Estado o índice de isolamento social ainda era um dos mais baixos do país, apesar de ligeira melhora. O Tocantins registrava um índice de 45,5%. Só pior que os 44,4% (Goiás), 44,2% (Maranhão) e 45,2% (Amazonas).

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