Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Governo acerta com Dimas. Mas joga luz na política financeira do gasto. Como disse Tollini aos deputados em maio: "Vão ainda pedir de joelhos"!!!

luizarmandocosta 04/09/2020 726 visualizações

O governo vai ajudar na construção do Hospital de Campanha de Araguaína. É uma iniciativa relevante do governo (e que deve ser defendida) que beneficiará a população da cidade onde até ontem se contabilizava 12.530 contaminados (23,6% dos 52.938 do Estado) e 158 óbitos (22,1% de todas as vítimas do Tocantins).

Mas joga luz no atraso que esperou a cidade registrar 7 mil casos/100 mil habitantes e 89,26 mortos/100 mil para ser operada. Contra os 1.886 casos/100 mil e os 58,83 óbitos/100 mil habitantes da tragédia nacional (o segundo país com mais casos e óbitos no planeta/ 13% de todas as mortes no mundo).

Araguaína, por estes números, teria proporcionalmente (coeficiente de incidência) seis vezes o número de casos e quase duas vezes o número de mortos pela Covid no Brasil.

É um dado chocante que exigiria do poder público a agilidade que demonstrou lá em abril quando anunciou três hospitais de campanha: Palmas, Araguaína e Gurupi a custos que a Secretaria de Saúde estimou em R$ 13 milhões mensais por 200 leitos (em outro momento falou-se em R$ 12 milhões).

O Hospital de Campanha de Araguaína (toda a estrutura) custará, conforme se divulga, R$ 12 milhões para 60 leitos, dos quais o governo prometeu ontem R$ 3 milhões. O equivalente ao custo mensal de cada um dos três hospitais de campanhas prometidos no Estado (R$ 4 milhões cada). Tem a seu favor, o da Prefeitura de Araguaína, que pode ficar por mais tempo (tal os outros hospitais de campanha anunciados pelo governo), embora continue sendo um hospital improvisado como o próprio nome: de campanha.

E aí outro corte, o financeiro. O custo para o Estado será quase os mesmos R$ 4 milhões que ele (governo) gastaria por mês se tivesse instalado o hospital de campanha lá em abril em Araguaína quando Mauro Carlesse os anunciou. Como não o fez, enquanto óbitos e contaminados avançavam no período, economizou R$ 20 milhões (em cinco meses) e os trocou por R$ 3 milhões (um milhão a menos por mês) e não como despesa obrigatória mensal. Mas como ajuda financeira dependente da vontade política do Palácio sua continuidade.

Os mesmos R$ 3,3 milhões mensais (em seis meses R$ 20,6 milhões) que bancará na entidade que atenderá no Centro Oncológico de Palmas (que denominaram de Hospital Estadual da Covid), contratada em agosto. Uma economia em cinco meses também dos mesmos R$ 20 milhões que gastaria (R$ 4 milhões/mês cada hospital de campanha) de abril a agosto. E que nos próximos seis meses serão R$ 20,6 milhões quando, pelo valor de abril, seriam R$ 24 milhões no próximo semestre.

E ainda faltam  Porto Nacional (3.604 casos/100 mil e 58,49 óbitos/100 mil) e Gurupi (3.129 contaminados/100 mil e 44 óbitos/100 mil) que, tudo indica, dependeriam além do agravamento da Covid-19 naqueles municípios, de um rearranjo político para implementar medidas semelhantes.

Bem ao modo da resposta do secretário de Saúde, Edgar Tollini, ao Ministério Público, em audiência com deputados no dia 5 de maio, sobre os hospitais de campanha: "Eles ainda vão pedir de joelhos".

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