A prospecção do governador Mauro Carlesse no Legislativo nesta quarta deveria merecer, dos mesmos deputados e Executivo, reflexões sobre o papel da liderança do governo na Assembléia Legislativa.
O cargo é ocupado pela deputada Valderez Castelo Branco. A necessidade do deslocamento pessoal do Chefe do Executivo ao Legislativo sugeriria: 1) A líder não teria conseguido convencer os parlamentares sobre os projetos do governo ou 2) Mauro Carlesse não tivesse dado à líder o poder para negociar pelo governo.
Aponto que Valderez é líder do governo no Legislativo. Não tem como função liderar deputados que tem líder em cada bloco. Mas caberia certamente prudência ao Executivo, na exposição de fragilidades de sua líder em demandas futuras no Legislativo. O vento pode mudar de direção.
Intuo pela segunda assertiva. Na verdade, nos governos do Estado, a função de líder no Legislativo é figurativa. É apenas um expediente para acomodar comissionados com verba de representação e tudo. Ali se aboleta também o Executivo.
O deputado Paulo Mourão, por exemplo, foi líder do governo Marcelo Miranda. Com larga experiência no convencimento técnico de parlamentares (foi presidente da Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara dos Deputados), entendeu que poderia entabular acordos políticos para votação de matérias com o aval de Marcelo Miranda. Afinal não é nada além disso a função do líder do governo. O Governador na hora de cumprir o compromisso, desaparecia deixando o líder na mão. Fazia justamente o contrário.
Mourão deixou o cargo e Marcelo colocou Valderez no seu lugar. Carlesse assumiu e entregou a função a Olintho Neto, que a deixou após as denúncias contra a Sancil. Mauro Carlesse buscou quem? Novamente Valderez, a quem atropelou nesta quarta. Em condições normais, qualquer cidadão numa situação desta deixaria o cargo de líder do governo.
Mas existem outras questões a se pesar (e sopesar) na balança.


