Em declaração atribuída ao próprio governador Wanderlei Barbosa, o Portal CT registrou ontem que o governador não disputará cargo algum em 2026.
O Governador teria declarado que não irá renunciar. Condição indispensável para uma nova candidatura. Nem o senador Eduardo Gomes,diretamente interessado no assunto, deve ter levado a sério a declaração.
A declaração é, aparentemente, explosiva. Ela é vista mais como uma negação do vice, do que como a afirmação do compromisso eleitoral que é de quatro anos no governo firmado nas urnas com o eleitor. E que, a priori, não necessitaria de confirmação, caso não pairassem dúvidas.
E não conversada com o vice, abriria uma crise antecipada no núcleo não só do governo, mas na base partidária do Executivo às vésperas das eleições municipais. Não vejo que Wanderlei pudesse fazer com Laurez Moreira o que sofreu de Mauro Carlesse.
Do ponto de vista pragmático, como é óbvio, a afirmação, por antecipação, de uma renúncia de poder daqui a dois anos (mesmo que para outra candidatura) entregaria o governo à expectativa legítima de poder que seria direcionada, por gravidade, ao vice.
E, claro, as pessoas poderiam começar a ver nas obras do governo ação eleitoral. Ou escrutinar que Wanderlei estivesse pensando mais na eleição do que no Estado com dois anos e meio de antecedência.
Ver de outro ângulo a afirmação intempestiva seria acreditar que Wanderlei Barbosa, com quase quatro décadas de mandato, deixasse passar a oportunidade de uma vaga no Senado para ficar quatro anos longe da política no Estado.
Com consequências diretas no projeto político não só seu, mas do filho, Leo Barbosa. E de outros membros da família que militam na política.
Ou seja, juntar prefeitos de todos os partidos hoje em Porto Nacional é só parte do altruísmo institucional do Governador.
Pode acontecer? Dentro das possibilidades, sim. Mas pouca probabilidade.


