A reação do Ministério da Justiça, Ministério Público Federal e parlamentares governistas à campanha do Google contra o Projeto de Lei das Fake News (previsto para ser votado hoje na Câmara dos Deputados) deveria obter a unanimidade daqueles que defendam a soberania nacional.
Do Tocantins, já se sabe o pensamento dos deputados federais. De uma bancada de oito parlamentares, apenas quatro se posicionaram a favor do projeto.
Dois outros (da bancada evangélica bolsonarista) - Eli Borges e Filipe Martins - votaram contra e mais dois preferiram ser omissos, encorpando a resistência bolsonarista ao projeto que visa combater a ilegalidade que a beneficia e com a qual quis passar a raso o país nos últimos quatro anos.
Tanto pela forma como conteúdo, a resistência das bigs techs às leis brasileiras e ao Congresso Nacional aproxima-se de um escárnio, não fosse (a exemplo do golpe tentado em 8 de janeiro) um atentado à soberania do país. Uma empresa privada querendo mandar nas leis de um país soberano.
O Google (como se viu ontem), por outro lado, faz do expediente das próprias Fake News (que se quer combater) para instrumentalizar sua defesa do atual modelo que já se sabe no que deu e no que poderá causar mais ainda.
Argumentar que o PL das Fake News provocará a criação de mais desinformação (como propagou) e que colocaria em risco o acesso e a distribuição gratuita na internet é daqueles raciocínios que só param de pé numa realidade bolsonarista.
Carece de explicação racional como um projeto que tem a finalidade de punir abusos e crimes na internet tivesse como consequência direta, mediata ou imediata, justamente o contrário: mais crimes. Expansão e não contenção.
Um espectro, na essência e substância, similar à tese bolsonarista de que as vacinas contra Covid-19 ao invés de salvar vidas, provocariam mais óbitos. E de ir contra a ciência em favor da cloroquina.
As estatísticas de contaminados e mortes depois delas estão aí. Assim como os óbitos daqueles que caíram no conto bolsonariano propagado indistintamente e sem qualquer controle pelas bigs techs.
É compreensível: para o Google: quanto mais desinformados e desinformação prosperem no país, mais terá acessos e grana sem desembolsar um tostão pelo conteúdo publicado. Verdadeiros ou não.
Basta observar acessos e seguidores de personagens que se expandem publicando bobagens nas redes. Algumas inofensivas (ainda que não deixem de ser bobagem), outras nem tanto: propagadoras de violência e que, obrigatoriamente,tem que ser enquadradas nas leis do país.
De forma que quanto mais for as redes sociais terra de ninguém e de foras-da-lei, tanto mais poderá manipular, a seu modo, a soberania do país.


