Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Gonzaga, 30 anos na saúde, é mais um portuense que vai a óbito por incompetência do sistema e sabujice dos sete deputados de Porto que podem não ter UTI no calvário eleitoral que se avizinha pelo ânimo da cidade!! Porto não é a sentina de Palmas!!

27/03/2021 1365 visualizações

O servidor público portuense Luiz Gonzaga teve a vida interceptada pelo Covid-19 no percurso de 150 km entre Porto Nacional e a UTI em Gurupi, para onde era deslocado de ambulância. Assim como o fiz com João Terror, amplifiquei ontem a agonia da família atrás de UTI que a cidade não possui, tentando não acreditar no resultado para situação igual e imutável diante da insensibilidade e falta de vontade de trabalhar no que interessa, presente nos parlamentares que representam a população município.

Não deu outra como outros deverão suceder Gonzaga diante da falta de vontade não só politica, mas humanitaria de deputados com salários de R$ 25 mil mensais, mais verbas de ressarcimento de R$ 35 mil quando a cidade padece do desemprego e da falta de renda. A quem os sete deputados, com a omissão, não dão chance sequer de vida, que dirá de melhores projetos.

Negam-lhes o básico do básico como se a deputança fosse um prêmio imortal, garantido pela finitude dos seus eleitores mais próximos da mortalidade por suas inações que garantem, até agora, seus proventos fáceis como difícil é o miserável ganho do operário numa cidade sem empregos, relegada por sucessivos governos a ser a sentina de Palmas e do poder que os portuenses ajudaram a existir com sua luta histórica.. Um Hospital Regional onde é preciso pescar médicos nos postinhos para ser atendido. Ainda que sob a coordenação de um deputado da cidade, presidente do Legislativo estadual.

Gonzaga trabalhara 30 anos no serviço de saúde pública do Estado e agonizou dias em Porto à espera de UTI que não viria. Gonzaga foi objeto de artigo deste blog ontem quando expressamos o desespero dos seus filhos no Hospital Regional de Porto por uma UTI que desse a chance que o pai merecia.

O Estado registrou hoje 30 óbitos (totalizando 1.942). Porto Nacional já contabiliza 112 perdas. Na cidade neste sábado, o conhecimento da morte de Luiz Gonzaga sem o atendimento adequado elevou a temperatura contra os sete deputados estaduais que não moveram (e não movem) uma palha para a instalação de uma UTI numa cidade de 53 mil habitantes e que sedia o mais antigo hospital público do Estado.

Sete deputados que, somando as verbas salariais e de ressarcimento embolsam o equivalente a R$ 420 mil mensais (R$ 35 mil de Codap e R$ 25 mil de salários). Sem somar as verbas de representação com que contratam cabos eleitorais, matéria prima de investigações por “rachadinhas”.

Gonzaga, João Terror e muitos poderiam estar vivos se um desses sete deputados e o vice-governador se dispusse a financiar ambulâncias e leitos de UTI para os eleitores que bancam, em larga medida, seus negócios.

Não me aterei aos R$ 1,704 bilhões gastos pelo governo em saúde no ano passado nem aos R$ 1,778 bilhões do orçamento da saúde para 2021. Ou aos R$ 12,78 bilhões que o governo federal (Portal das Transparência do governo federal) informa ter repassado ao Estado de 2020 a janeiro de 2021.

Dentre eles, R$ 868 milhões só para o Covid-19 (auxílio financeiro das perdas e PFEC I e II). Tudo também publicado no Portal das Transparências do governo federal. Conforme o Instituto Fiscal do Senado, o Tocantins teve R$ 342 milhões a mais que as perdas do Covid-19. O maior ganho no país. Tudo público.

Ocupo-me dos sete deputados portuenses e do vice-governador e suas responsabilidades na tragédia que ocorre na cidade. E sem UTIs.

Se cada deputado abrisse mão de seus R$ 60 mil mensais (individual) de Codap e salários (recursos que lhe são entregues por aqueles que estão morrendo sem UTIs), um sacrifício por seus eleitores, os R$ 420 mil dos sete deputados daria para bancar 14 UTIs a cada mês na cidade.

O custo de uma UTI (pelo SUS) gira em torno de R$ 2 mil/dia. Em 30 dias o custo seria de R$ 60 mil que bancaria a UTI de dois contaminados por mês tomando a média de 15 dias de permanência no tratamento intensivo.

Se considerarmos um período de seis meses, os sete deputados estaduais portuenses, sem diminuir suas riquezas pessoais, atenderiam a população da cidade (com os recursos que embolsam que não são seus) sem necessitar desgaste político de ajoelhar ao governo para salvar seus conterrâneos.

Mas eles preferem a enrolação, acreditando que a população ainda é levada “na flauta” tendo parentes e amigos sendo mortos pela irresponsabilidade, incompetência, vício contumaz e falta de empatia com as demais pessoas.

De forma que, pelo ânimo hoje na cidade, os sete deputados estaduais portuenses, como seus conterrâneos que morrem à mingua sem assistência, não terão UTIs à sua disposição para livrarem-se do previsível óbito político no próximo ano.

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