Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Gomes na sucessão metropolitana aparenta ser o bode na sala para retirar Senador da arapuca de aliado eleitoral do Palácio e do Paço

luizarmandocosta 05/12/2019 536 visualizações

De uma hora para outra, o meio político é levado a observar o senador Eduardo Gomes na sucessão municipal do próximo ano. Gomes, com efeito, já esteve mais perto da disputa do Paço. E não o foi, não por falta de articulação, tino político ou capacidade de gestão política e administrativa.

Foi presidente da Câmara de Vereadores, prefeito interino da cidade e gerado dentro do siqueirismo que optou, em dado momento, apoiar Eduardo Siqueira, Odir Rocha, Nilmar Ruiz e depois Marcelo Lélis.

Na tese em curso,  Eduardo abriria mão de seis anos de mandato (saindo no próximo ano) no Senado (podendo reeleger-se por mais oito anos em 2026) – numa eleição com apoio popular incontestável - uma prévia de eleição a governo, depois de ficar quatro anos sem mandato quando perdeu por pouco para a senadora Kátia Abreu.

Ficou quatro anos preparando uma nova disputa ao Senado. Um projeto!!!! Poderia, em dois anos, ter disputado a prefeitura contra a reeleição de Carlos Amastha que, pelas pesquisas, não era o melhor pontuado. Quem viu a eleição por dentro sabe que não foi Amastha que venceu e sim Raul Filho que perdeu.

Deixaria, agora, o Senado onde tem dois gabinetes (um de senador e outro de líder do governo federal no Congresso), com verbas, cargos e posicionamento e prestígio nacionais, para quatro anos na Prefeitura de uma cidade de 300 mil habitantes com menos eleitores que sua quantidade de votos para senador.

Deixando a Esplanada dos Ministérios e o Congresso onde milita por 16 anos!!!! Quem já assumiu mandato no Senado ou na Câmara dos Deputados sabe muito bem o que isto significa. De outro modo: para começar tudo de novo. Risível.

A discussão sobre Gomes candidato a prefeito, colocada nestes termos, está mais para bode na sala do que para ser levada a sério. E por que? Eduardo Gomes, pela trajetória, é uma das opções a governo daqui a três anos. Aí sim poderia justificar colocar na balança o mandato no Senado.

Próximo de Cínthia, o Senador, bom articulador, poderia, também, é possível deduzir-se, estar testando o eleitorado,  fazendo-o deixar a posição contemplativa ao trabalho de Cínthia (incontestável), sua aliada, para se posicionar favorável à prefeita, impulsionado pela candidatura daquele que considerariam aliado da prefeita e que a estivesse abandonando. As pessoas tendem a agrupar-se na compaixão, uma paixão compartilhada.

Ademais, como é público, Gomes é considerado aliado do Palácio e o governo já tem seu candidato a prefeito, Wanderley Barbosa. Gomes também tem demonstrado ser aliado de Cínthia Ribeiro e Cínthia Ribeiro tem direito a disputar a reeleição. Difícil imaginar Eduardo Gomes, com seu talento para articulação política, atritando-se, simultaneamente, com dois potenciais aliados para daqui a três anos

Daqui a pouco se tira o bode da sala e Eduardo Gomes pode dizer que apóia Cínthia e o governo, lavando as mãos, dizendo-se pelo bem da cidade (ou trabalhando para um e outro internamente) na disputa municipal em troca de apoio de Cínthia e do governo na sucessão estadual de 2022. Afinal tem mais nomes na disputa. Alguns não só adversários, mas inimigos do trio e que estarão certamente de um outro lado na eleição estadual.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano