O União Brasil (fusão do PSL/Democratas) ainda não foi oficializado pelo TSE mas sua operacionalização política na prática adiciona condimentos à sucessão estadual.
Se materializadas as especulações de atração do Podemos em nível nacional, com uma candidatura do ex-ministro Sérgio Moro, é uma aliança que já sai com um fundo eleitoral de R$ 965 milhões (no país), considerada como régua a previsão orçamentária de R$ 4,9 bilhões do FEF (sancionado na sexta) e os índices aplicados e distribuídos em 2020. Ou seja, teria 19,6% de todo o fundo eleitoral em função de suas bancadas (é observado o número de deputados eleitos em 2018).
No Estado pode haver a necessidade de acomodações políticas. O PSL é comandado pelo governador afastado, Mauro Carlesse e o Democratas pela deputada federal Dorinha Seabra.
Essa engenharia pode atrair para o grupo o senador Eduardo Gomes (MDB) que desde sempre soube que a direção emedebista no Estado não lhe abriria, muito facilmente, vaga para disputar o governo. Provavelmente não arriscaria disputa na convenção. Uma casa de marimbondos de fogo. Teria entre 1º de março e 3 de abril (janela partidária) para nova legenda.
Gomes teria proximidade com o Podemos (de Moro e Ronaldo Dimas) e, por gravidade, carregaria, de pronto, numa presuntiva aliança, o Pros, o Solidariedade e o Republicanos (PRB). Com possibilidade, dependendo da verticalização do PSDB, atrair os tucanos, presididos pela aliada prefeita Cinthia Ribeiro.
Excluída a via PSDB, ainda assim um grupo com União Brasil (União Brasil, Podemos, Solidariedade, Pros e PRB) poderia entrar na campanha eleitoral deste ano (fora demais partidos que acoplariam por gravidade) participando de um rateio nacional de um fundo eleitoral de R$ 1 bilhão e 370 milhões, tomados com régua de cálculo os valores/ percentuais recebidos pelos partidos em 2020 e aplicados nos R$ 4,9 bilhões destinados este ano.
Do outro lado, pela mesma régua, o PT teria R$ 490 milhões, PSB (R$ 267 milhões), PL (R$ 307 milhões), MDB (R$ 377 milhões), PSDB (R$ 308 milhões) e o PP (R$ 343 milhões). Valores, claro, proporcionais nos Estados. Ou seja, o grupo do Uniao Brasil teria R$ 1,370 bilhões contra os R$ 757 milhões da soma do PT e PSB que caminham para uma Federação.
Mas antes disso tudo aí, tem a verticalização das federações de partidos.


