O Democratas e o PSL discutem uma fusão. Tem até o dia 2 de outubro para fazê-lo quando começa a correr o calendário eleitoral.
A deputada federal Dorinha Seabra (presidente regional do Democratas) defendeu a estratégia esta semana (T1 Notícias) sustentando que o novo partido brotará como a maior bancada da Câmara dos Deputados.
Com efeito, o DEM tem hoje 28 e o PSL 53 parlamentares. Juntos, 81 deputados federais, 16% dos votos da Câmara dos Deputados.
O problema reside na avaliação de elevar o condicionado à condição, ignorando esta como simples possibilidade daquela que é. As duas realidades distintas, ideal e material, do platonismo primitivo.
Em primeiro lutar, a bancada que se formará não é certo que será mantida nas eleições de 2022. No PSL (a bancada hoje contabilizada), por exemplo, a quase unanimidade foi eleita no efeito-Bolsonaro que derrete seu ativo político a cada dia.
E o Democratas pode ainda sofrer perdas com a fusão quando passará recibo de que o partido bolsonarizou como acusou Rodrigo Maia, no embate com ACM Neto, em função do apoio do partido ao bolsonarista Artur Lira na disputa pela presidência da Câmara.
No Estado, a situação é pior ainda. Significaria o retorno da aliança de Dorinha Seabra com Mauro Carlesse, hoje presidente regional do PSL. Como é óbvio, alguém aí terá que abrir mão do comando da nova legenda.
Caso contrário, ter-se-á um partido rachado a um ano das eleições. Contra a proposição de aliança e de força, divisão e fraqueza.
No popular: um balaio de cobra, alguém vai engolir alguém. Diferente do balaio de gatos partidário de hoje onde no máximo ganham arranhões na pusilanimidade dos partidos na crise que vive o país.
Nada mais parecido com a canção do jardineiro, do escritor inglês Lewis Carrol (Alice no país das maravilhas): “Ele pensava ver um argumento que provava que ele era um Papa. Olhou uma segunda vez e se deu conta de que era uma barra de sabão pintada.”


