Há muito se sabe que aquilo que os políticos complicam, a realidade descomplica.
A fotografia da agenda de Jair Bolsonaro ontem no Estado explicitou o que já se raciocinava: a divisão da base bolsonarista no Estado.
Em Xambioá, o Presidente se expôs no palanque com o senador Eduardo Gomes, ex-prefeito Ronaldo Dimas e deputados Tiago Dimas e Carlos Gaguim, dentre outros.
Em Porto Nacional, o palco foi dividido com Wanderlei Barbosa, Kátia Abreu, Vicente Jr e Vicentinho Alves.
Conclusão óbvia: um grupo (de Gomes) não se comunica (conecta) com o de Wanderlei/Kátia, embora ambos disputem o mesmo nicho de mercado eleitoral ligado a Bolsonaro.
Tem a seu favor, lógico, suas próprias biografias. Que, entretanto, não impedem a divisão do eleitorado ideológico, já que ambos (Dimas e Wanderlei) disputariam o mesmo segmento de votos.
Curiosamente, portanto, ao se unirem em favor de Bolsonaro e se dividirem na disputa pelo mesmo objeto (governo), favorecem, por consequência, o candidato petista Paulo Mourão ao Palácio Araguaia.
O PT tem um voto orgânico, não sujeito a partilhas como a fotografia de ontem demonstrou no grupo bolsonarista.
Seria, traduzindo no popular, Jair Bolsonaro ajudando a eleição de um petista no Tocantins. De forma direta dada a racionalidade numérica da divisão
A realidade descomplicando a narrativa política.


