Os “formuladores” políticos do Palácio Araguaia com tino político ou uma nesga qualquer de massa cinzenta, devem estar coçando a “pioenta” para resgatar Wanderlei Barbosa do fosso em que o jogaram com a dupla eleição no Legislativo pretextando justamente o contrário: eliminação de eventuais problemas.
A quase certa derrubada da dupla eleição e da possibilidade do deputado Leo Barbosa não disputar a presidência no meio do ano (a dois meses das eleições municipais) obriga-os a um novo nome que agregue o apoio da maioria parlamentar no Legislativo.
É provável que a deputada Janad Valcari (PL) tenha na Casa a mesma maioria que hoje contabiliza como apoiadores na sua disputa municipal, exigindo, no mínimo, uma negociação. Calendário eleitoral em que Janad já enfrentaria ações do MPE.
A dúvida é: Janad com possíveis e supostos problemas para disputar a prefeitura escolheria permanecer parada seguindo seu destino, ou assumiria o Legislativo com uma janela para o Governo, fazendo seu novo destino?
Descartaria a possibilidade de encurtar a distância entre vereadora/deputada e governo? Janad já é 2ª secretária da mesa na gestão do aliado Amélio Cayres. Ela do PL e ele do Republicanos.
Ou seja, se assumisse a presidência seria uma espécie de gestão continuada. Como já se confundem, compartilham-se e se fundem na pré-campanha antecipada na Capital.
E que se note: ela já deixou para trás dois anos de mandato de vereadora (dois anos de emendas parlamentares a seus eleitores municipais) para mudar de patamar de Legislativo. Não apontaria, portanto, para baixo.
A questão levaria a outra: o Palácio teria em Janad a mesma segurança que com Leo Barbosa póssibilitaria no uso das competências e manejo do regimento interno em favor do governo e do governador?
A priori, deduz-se que não, dado que, se assim o fosse, já poderia ter-se aventado Janad na dupla eleição. E não Leo.
A mesma Janad que, como reserva agora, poderia ser lembrada mais pelo controle que a deputada tem de uma quase maioria parlamentar e a parceria do presidente, deputado Amélio Cayres, que não pode candidatar-se à reeleição na mesma legislatura.
Aqueles que pensam, devem estar com a barba de molho: essa mesma maioria parlamentar que hoje vota nos projetos de Wanderlei Barbosa sinalizando apoio político, exercia igual expediente com o ex-governador Mauro Carlesse e aprovaram, por maioria absoluta, a tramitação do pedido de impeachment: voto de 23 deputados pela abertura do processo. Com um aliado na presidência.
Com efeito, dos atuais 24 deputados eleitos em 2022, quinze foram reeleitos (eram aliados e defenestraram o governador). Outros sete foram eleitos pelo partidos da oposição a Wanderlei, ainda que na mesma linha ideológica. Inclusive Janad Valcari, eleita pelo PL que tinha em Ronaldo Dimas o candidato contra Wanderlei.
Ou seja, Janad teria, hipoteticamente num eventual exercício da presidência, um campo fértil de pelo menos duas dezenas de parlamentares a ser semeado. Quando necessitaria de apenas dois terços (15 deputados) para admitir uma eventual acusação contra o governador e afastá-lo do cargo.
Situação em que, dependendo da acusação, levaria ao cargo de governador até nova eleição (onde poderia disputá-la direta ou indiretamente) a própria presidente do Legislativo como o Estado é pródigo em registros.
Para sair desta encruzilhada o Palácio talvez tenha que apoiar Janad Valcari na disputa pela prefeitura de Palmas (e assumir o desgaste das ações do MPE e com seus candidatos preferidos) ou convencê-la não só a não disputar a prefeitura mas apoiar um seu candidato. Sob o risco de Janad ser Janad no exercício da presidência do Legislativo.
Situação que poderia não ter emergido dessa forma não fosse o instituto da dupla eleição e a preocupação antecipada em dar “segurança” a Wanderlei. Um reforço que, pelo menos até aqui, o governador não teve necessidade. Só impulsionou a chantagem política recorrente no meio.
Enquanto isto, os adversários de Janad e do governo se divertem.


