Os deputados podem ter se contentado com as explicações do Secretário de Administração e do diretor do Plan-Saúde e encontrado razões para defender o governo de denúncias vindas a público na administração do plano. Edson Cabral e Inejaim Siqueira apresentaram dados em larga medida irrefutáveis posto comprováveis (e compatíveis) no mercado de planos.
Ainda que se possa enxergar na vontade política governamental de transparência uma estratégia (até de marketing muito clara ao optar por tratar usuários como vidas) e que a Infoway (operadora do plano) tenha alimentado a administração com parte dos números (e não se saiba se o governo os tivesse auditado como anuncia fazer com as contas) a explicação dos gestores encontra plausibilidade.
Mas delas subsequentes, pode-se retirar outras conclusões que apontariam justamente o contrário do que os números apresentados pudessem referendar como exemplo de excelência administrativa de recursos no setor de atendimento à saúde. E se é tão clara a relação receita/despesa, sob outro ponto de observação, a situação não seria assim tão coerente. Ainda que se possa anotar não ser uma herança do governo atual.
Explico: o governo diz que o Plan-Saúde tem uma das co-participações (contribuição do governo) mais altas dentre os planos de outros Estados. E que os preços dos serviços que o plano paga por aqui são, em determinados setores (honorários médicos por exemplo) muito menores que os praticado no mercados. Ou seja: seria melhor administrado.
O governo exemplifica isto com os custos mensais, esgrimindo os R$19 milhões e 714 mil de despesa do plano em maio de 2019. Tomando-os como verdadeiros (e não haveria evidências para se pensar na sua invalidade), o plano teria uma despesa anual com servidores e usuários (81.451 vidas informadas na terça) da ordem de R$ 236 milhões e 568 mil. Um total de R$ 2.901,42 por cada uma das 81.451 "vidas" cobertas pelo plano por ano.
No sistema público de saúde (que cobre aqueles sem-plano) o governo gastou em 2018 (liquidou) o equivalente a R$ 1 bilhão e 417 milhões para atender, em tese, 1 milhão 572 mil e 866 pessoas (as tais "vidas públicas"). Fazendo a mesma equação do Plan-Saúde, o governo teria aplicado na saúde das "vidas públicas" o valor de R$ 900,90 no ano.
Ou seja: o Plan-Saúde estaria desembolsando, mesmo com menor rede de usuários, proporcionalmente, três vezes mais com suas 81 mil vidas que o governo com os 1 milhão e 572 mil sem-plano e dependentes do Sistema Único de Saúde no Estado.
Devem ter suas explicações, óbvio. Uma delas é que o governo estaria deficitário no atendimento (pela falta de recursos ou má administração dos recursos orçamentários) e o plano não, já que as contribuições são obrigatórias (ainda que o governo as atrase). Mas este ponto foi um dos que ficaram de fora da tangente da curva.


