Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Fios desencapados: enquanto Estado patina na vacinação por falta de imunizantes e parcos recursos federais, discute-se aumento de salários e se cala sobre crise política

23/08/2021 1100 visualizações

Há algo desconectado no Estado como se fora um fio desencapado. Os governadores de 24 Estados se reúnem hoje (à distância) para discutir a crise que ameaça a democracia. Até há pouco, não se tinha conhecimento da participação do governador Mauro Carlesse.

Por outro lado, a senadora Kátia Abreu anuncia para a próxima quarta-feira a discussão de uma lei (que tramita no Senado) que eleva para R$ 7,3  mil o salário base dos enfermeiros. Diz-se que tem o aval de 2,5 milhões de enfermeiros do Brasil. Não se duvida.

No Estado, servidores com nível superior lotados na Secretaria de Saúde tem um básico inicial de R$ 3,2 mil. Um enfermeiro (dados do Caged) R$ 3.090,00. As despesas, assim, teriam uma elevação de 100%, respeitados os direitos dos enfermeiros que merecem, por óbvio, melhores salários. Assim como os engenheiros querem mais que os R$ 4 mil e os médicos (com média de R$ 6,7 mil) por certo não aceitarão ganhar menos que os enfermeiros.

Para se ter uma idéia, o governo pagou na Saúde de janeiro a junho despesas de R$ 958 milhões (quitou). Destes, R$ 503 milhões (52%) apenas com salários. Dez vez mais o que gastou com material de consumo e três vezes o valor dispendido a empresas (hospitais, laboratórios e fornecedores) com serviços e produtos de saúde.

Paralelo a isto aí, o Estado vê a redução de casos e óbitos da Covid-19, apesar das dificuldades de obtenção das vacinas. Nos quatro primeiros meses do ano (tomando-se de 22/01 a 22/05) foram registrados 76.790 novos contaminados e 1.646 óbitos. De 22/05 a 22/08, 39.571 casos e 591 óbitos. Ou seja, casos caíram pela metade e óbitos cerca de 70%. Não há dúvida do que teria, mais que motivado, proporcionado a redução

Um resultado indiscutível. E o que se teve de instrumento: os R$ 48 milhões repassados pelo governo federal a Estado e municípios até 27 de  maio.  Foram R$ 13 milhões para o governo e R$ 35 milhões para as prefeituras.

Como é óbvio faltou nos recursos a mesma ação que os parlamentares federais negaram na vacina. O Estado aplicou até hoje (segundo MS) 82,1 % das vacinas encaminhadas. Só imunizou com duas doses 19% da população, enquanto que no Brasil 26% já receberam as duas doses (ou dose única). E São Paulo já anuncia 70% da população vacinada.

Por lógica, o desempenho nas vacinas (82% aplicadas) não é sustentáculo para apontar-se vagareza de Estado e municípios no percentual precário de imunização da população do Tocantins. Os elementos dificultadores na solução da equação são de outra ordem e natureza.

Como disse, há fios desencapados no Estado.

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