A economia política e pública, não raro, realça as ficções orçamentárias concorrendo para o aumento e não redução dos problemas da população.
Explico: o presidente Lula proclamou ontem que o PIB brasileiro vai crescer acima de 2,5% em 2023.
Obviamente que o aumento da soma de todas as riquezas não representaria necessariamente elevação de renda
Apenas per capita (número estatístico) que seria a divisão do bolo pelo número de habitantes.
Pois bem: o governo do Tocantins projetou na LDO/23 um crescimento do PIB nacional de 0,30%!! Uma previsão, por sinal, do Boletim Focus/Banco Central.
Esse indicador, entretanto, regrou a LOA. O PIB do Estado seria de R$ 56,7 bilhões (2023), um crescimento de 27.41% sobre o PIB de 2022.
Uma continha de padaria: se com o crescimento do PIB nacional em 0,30% o Estado fecharia 2023 com um PIB de R$ 56,7 bilhões, se o PIB nacional crescer 2,5% (como pregou Lula), a economia do Tocantins registrará um PIB de R$ 472 bilhões no ano.
Maior que o atual PIB do Rio Grande do Sul (R$ 470 bilhões), Santa Catarina (R$ 349 bilhões) ou Bahia (R$ 305 bilhões) para ficar só nestes.
O Tocantins só teria hoje um PIB menor que São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, que, claro, sofreriam também as correções lulistas.
E olha que o PIB do Estado recorrentemente tem registrado crescimento em índices maiores que os do PIB nacional.
Ficção pura. Mas é o que tem para trabalhar.


