De olho nas eleições de 2024, as direções nacionais do União Brasil e do PP discutem a criação de uma federação que acharam por bem não implementar no ano passado. Na Câmara dos Deputados, a união resultará numa bancada de 108 deputados federais. Maior que os 99 do PL.
No Estado, o UB fez no ano passado um deputado federal e dois estaduais. Já o PP fez dois federais (pode perder um) e nenhum deputado estadual.
A disputa pelo protagonismo nacional no Estado, não é desconhecido, se dá atualmente entre o senador Eduardo Gomes (PL) e Dorinha Seabra (UB). Uma relação entre dois bolsonaristas no governo do PT que transcende paradoxalmente na indicação de cargos federais no governo...petista.
A federação tem prazo de quatro anos de validade. Depende da data de sua aprovação, portanto, a validade para as eleições estaduais de 2026. Mas, certamente, poderá ser aplicada em 2024 (eleições municipais), caso aceita pelo TSE.
Desta razão aí, dependeria a influência nas disputas majoritárias e proporcionais daqui a quatro anos, de deputados, senadores e de governo. No Estado, o governador Wanderlei Barbosa é do Repúblicanos que elegeu três deputados federais e sete estaduais. Todos da base bolsonarista ainda que os discensos sejam públicos.
Aprovada a Federação UB/PP, seu apoio ao grupo palaciano em 2026 fica condicionado às decisões nacionais por força das regras da Federação.
A Federação significará, assim, no Estado, juntar o deputado federal Vicentinho Jr e a senadora Dorinha Seabra, respectivamente, presidente regionais do PP e do União Brasil. Dorinha foi eleita na chapa majoritária de Wanderlei.
E possibilidade de abrir um racha com a ex-presidente regional do PP, ex-senadora Kátia Abreu, que perdeu o cargo no Senado justamente para Dorinha.
Vicentinho aproveitou-se politicamente do fato de Kátia ter apoiado Lula para reafirmar sua posição bolsonarista na base do ex-presidente e assumir o PP. Hoje PP e UB (tem três ministros) negociam na base do presidente petista.
A verticalização PP/UB pode, a priori, por outro lado, torná-lo o grupo com maior número de prefeitos no Estado: 35. Aumentando a distância do PSD (que só teve menos prefeitos que o DEM, que fundiu-se com o PSL), a segunda força de direita nos municípios.
A fusão, assim, interessa diretamente ao PSD, do senador Irajá Abreu, que pode atrair setores do PP que não se aliariam a Dorinha Seabra ou ao próprio Vicentinho por seu matiz bolsonarista. E a própria senadora Kátia Abreu vinda de dois mandatos de deputada federal e outros dois de senadora da República.
Muitos prefeitos tem respeito à senadora Kátia Abreu (que já foi do PSD) que não tem o histórico de Jair Bolsonaro ou de Ciro Nogueira (presidente nacional do PP). Nem de Valdemar Costa Neto (do PL). As denúncias contra o ex-presidente (que é do PL) tem minguado seu capital político. E pode se transformar num midas às avessas.
Daí que a verticalização do UB com PP pode representar a opção encontrada pelos dois partidos para sobreviver, em 2024, à hecatombe provocada por Jair Bolsonaro, considerado o maior líder da direita no Brasil, onde estão alojados, ideologicamente, UB e PP.
O desafio é conseguir afastar-se do ex-presidente sem contrariar o bolsonarismo. E não ficar dele tão distante que não se identifique seus matizes ideológicos. Imperativo categórico tanto do PP como do União Brasil, forjados na direita conservadora da qual herdaram não só as virtudes, mas o vícios históricos.


