As direções metropolitanas do PV/PCdoB e PT firmaram termo de compromisso com critérios para a escolha de candidatos nas eleições proporcionais (vereadores) deste ano em Palmas.
As 24 candidaturas (23/número de vagas + 1 como determina a legislação) serão distribuídas de forma paritária entre os partidos. Isto daria oito candidatos para cada legenda (a Federação é considerada um só partido e vale por quatro anos).
O nó se dá na outra ponta aprovada: acordaram que – como se divulga - a Federação não poderá filiar políticos que já tenham mandato de vereador na Capital. A janela partidária ocorre em março. E é uma garantia legal.
O grupo fecha, assim, as portas estabelecendo uma proibição tão transversal quanto genérica: a negação de filiação a políticos com mandato, que pode atingir – da forma como é comunicada – até aqueles que, mesmo com mandatos, não desejassem a reeleição. Um raciocínio lógico até onde se sabe do acordo.
Ele, com efeito, assim colocado, sugere a criação de uma espécie de reserva de mercado ideológica ainda desconectada com o voto e com o líder maior das esquerdas no país, o Lula presidente.
Se teria sentido do ponto de vista dos princípios partidários (e isto um avanço político), careceria de razão pragmática (da Federação em nível nacional) o centralismo democrático pretextando a higienização da própria Federação. Uma associação com prazo de validade pré-estabelecido.
Isto porque, para a Federação metropolitana, tudo indica, a prioridade seria eleger vereadores da base numa eleição que não permite coligações. E com maior probabilidade de menos votos posto excluídos os já testados nas urnas.
Um sonho de Alice nas atuais circunstâncias políticas e cuja representação material não dependeria simplesmente do exercício da vontade. E ainda mais quando se tem outras variantes determinantes e variadas finalidades nele contidas lembradas pelo retrovisor.
Muito embora professem hoje ser de centro-esquerda, o PT do Colégio Sion foi criado por anti-stalinistas, justamente a massa crítica que moldou o PCdoB no país (um racha no PC).
A coligação nacional em 2022 que elegeu Lula era formada não só pela Federação PT/PCdoB/PV, mas de partidos tão diferentes quanto divergentes como Solidariedade, PSB e Avante. E Lula (PT) governa também com UB, PL, PSD, PSB, PDT, MDB.
No Estado, é público e notório o resultado do acordo promovido pela mesma Federação nas eleições de 2022, em nível estadual.
Os dirigentes dos partidos decidiram que a Federação teria apenas três candidatos com mandatos na disputa por vagas na Assembléia Legislativa.
E formar um grupo coeso para eleger o presidente regional do PT, Zé Roberto, a deputado federal, levando o PT (mesmo com candidato ao governo) ao palanque de Wanderlei Barbosa. Esses mesmos líderes da Federação.
No estadual, a estratégia forçou o deputado Issam Saado (então no PV) a cair fora da federação que privilegiava os deputados Ivory Lira (PCdoB), Amália Santana (PT) e Cláudia Lélis (PV), mais próximos do Palácio Araguaia e que eram os preferidos das Executivas.
Resultado: o PT não fez um deputado sequer (estadual ou federal) e o PV e o PC do B mantiveram seus dois deputados: Cláudia e Ivory. E Issam Saado (pelo Republicanos) é o primeiro suplente com 15 mil votos que obteve em 2022.
Uma votação equivalente a 75% da votação de Zé Roberto (20 mil votos) na disputa para a Câmara dos Deputados. E mais que os 12 mil de Cláudia ou os 11 mil de Amália.
Resultado que terminou por confirmar a finalidade da estratégia política da Federação em 2022. Com igual argumento de que faz uso agora. E, políticamente, no mesmo lugar: seguindo (como o fazem nos bastidores as direções regionais dos partidos) para o mesmo apoio ao Republicanos de Wanderlei Barbosa.


