A nota da FBK (Fábrika Alimentação) encaminhada ao blog ontem (leia post anterior) acrescenta ingredientes instigantes às denúncias de carne estragada na comida dos pacientes/servidores do HGP e investigada pelo Ministério Público Estadual.
Acompanhe-me no raciocínio e exercício retórico:
- A empresa foi multada cinco vezes (R$ 375 mil) – no Diário Oficial – pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Estado do Tocantins.
- A FBK se defende na nota que as multas se referem a problemas na estrutura física das cozinhas dos hospitais que fugiriam à sua responsabilidade.
- Como as comidas dos pacientes/servidores são processadas nas cozinhas dos hospitais e nelas ter-se-ia encontrado vermes, a lógica indica que, a valer a tese da FBK, o responsável pela comida estragada no HGP fosse, numa relação de causa e consequência, a Secretaria de Saúde do Estado que não disponibilizaria estrutura física adequada à empresa.
- Daí, concluí-se pelas premissas colocadas e silogismos possíveis que a Vigilância Sanitária do Governo teria multado a FBK quando deveria, por lógica, ter punido a Secretaria de Saúde. Outro equívoco da relação pública.
- E aí encaminharíamos para uma indagação decorrente: qual seria mesmo o negócio/empreendimento da FBK!!!! E o objeto da contratação a que faz jus a pagamentos!!!!
Conclusão óbvia da tese da FBK: uma empresa que presta serviço de alimentação a um hospital não seria a responsável pela comida que entrega, especialmente a pacientes. E sim o governo que a contratou para alimentar os pacientes!!!
Uma impossibilidade lógica. Só para se ter uma idéia, apenas no HGP seriam servidas cerca de 4 mil refeições diárias. O Estado mantém 18 hospitais regionais. Ali no HGP foram feitas apenas neste mês de dezembro 1.088 internações (IntegraSaúde desta quarta), uma média de 54 novas internações a cada 24 horas.
O ponto positivo é que o governo processa uma licitação. O negativo é que as pessoas, pelo que se deduz da reação da Secretaria de Saúde, terão mais alguns meses que conviver com a possibilidade de encontrar baratas na comida.
Isto, claro, se o governo não decidir reformar a cozinha para que a comida da FBK esteja nos "conformes" de higiene. Uma piada!!! Tanto da empresa quanto do governo com a inércia e manutenção do contrato.
Pior ainda: na possibilidade de existência desta cláusula em que um governo contrata alimentos para pacientes estabelecendo como régua de qualidade ou condição necessária, a cessão de ambiente público para sua produção. Um contrato que se aproxima de R$ 10 milhões mensais.
De qualquer forma, a empresa se defende das acusações. A ver.


