O falso dilema expandido por setores da imprensa nacional nesta quinta-feira sobre atuação dos ministros Alexandre de Moraes e Nunes Marques no IA da convenção de Flávio Bolsonaro tenta demonstrar que um pé de abacate pode produzir uma carga de abacaxi.
Alexandre (o carcereiro de Jair Bolsonaro) não poderia investigar a IA eleitoral (com imagem do encarcerado) porque é do TSE e não do STF a competência sobre as eleições.
Mutatis mutandis, Nunes Marques (atual presidente do TSE) teria, por relação de causa e consequência, também, portanto, a competência para investigar se Jair Bolsonaro (objeto da IA) teria descumprido medidas cautelares sob a guarda de Alexandre.
E isto levasse à suspeição do Ministro do STF e à defesa da competência do ministro do TSE que estaria sendo invadido em sua jurisdição.
Spinoza, com o paralelismo colocado, estaria se debatendo hoje sobre a contrariedade barata a algo que entendia ser indiscutível: uma substância não pode ser produzida por outra coisa. Será sempre causa de si mesma.
A causa de Alexandre na IA é o descumprimento ou não da medida cautelar. Como a causa de Nunes Marques é o descumprimento da Resolução do TSE que proíbe deepfake e a propaganda eleitoral antecipada.
Mas se dá mais valia a um debate diversionista acerca da competência de Nunes Marques para decidir tanto sobre a cama de Flávio Bolsonaro como o catre de Jair Bolsonaro.
Uma coisa gerando outra coisa.
Carcereiro e camareiro a um só tempo.
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