Antes, uma colocação civilizatória: a filosofia ensina que o valor de um homem não é a posse da verdade. Mas o esforço sincero para encontrá-la.
A proliferação de fake news contra a prefeita Cínthia Ribeiro a 40 dias da propaganda eleitoral (27 de setembro, inclusive no Facebook) implica, por certo, em dois crimes: informação falsa (mais calúnia, injúria, difamação) e crime eleitoral, posto hoje facilmente identificável autor e patrocinador pelo que beneficia e prejudica. Confrontado os fatos com a verdade que dizem expor.
Do ponto de vista político, certifica que os adversários da prefeita não teriam argumentos retóricos e pragmáticos para demonstrá-la incompetente no cargo ao qual pretende, legal e legitimamente, se reeleger, sob as regras em vigor. Ou apontar desvios de conduta ética e moral. É como se a existência não fosse predicado. Ou seja: só se enxergaria na cidade o que se quisesse enxergar. A existência real fosse manipulável.
E mais relevante: aponta um norte moral nos seus concorrentes que a ação coordenada de fakes remunerados (de baixíssimo nível intelectual e até primários) e facilmente desmascarados (no que desinformam e na identidade) expõem de forma inequívoca. Ação recorrente nas campanhas que tem até mesmo profissionais para desenvolvê-la a soldo. Deixando de lado, plataformas políticas, projetos e idéias com que pretendem mudar as realidades da Capital.
A prefeita tem equívocos pontuais, assim como o governador do Estado. Mas ambos, é explícito, tem se saído, de longe, melhor que seus antecessores. Cínthia é a bola da vez porque foi colocada no cargo para não dar certo. E deu. E se dispõe a disputar uma reeleição. Mauro Carlesse deve preferir (relação custo/benefício) tratar com um prefeito eleito que gastar para eleger um. Tem mais dois anos para o que lhe interessa.
Cínthia em menos de dois anos pagou as dívidas do antecessor (R$ 72 milhões), encheu a cidade de obras, sua administração está com capacidade de pagamento na letra A, enquadrada na Lei de Responsabilidade Fiscal em despesas/receitas, não se meteu em projetos mirabolantes e milionários e não se dedica a achincalhar adversários nas redes sociais. Além do mais, é uma mulher, viúva, mãe e com um companheiro público. Fatos. Talvez resida aí o impulso do solipsismo, quase uma estupidez, dos adversários que pode resultar em soma inversa.
Evidente que os pré-candidatos ligados aos propagadores das fakes-news deveriam vir a público demonstrar não concordância com a ação. Um deles, Marcelo Lélis, ele próprio candidato do Partido Verde que tem se negado a avaliar a política de meio-ambiente do governo de Jair Bolsonaro que conseguiu transformar (conforme a imprensa internacional) o Brasil em um pária ambiental mundial. E Palmas está no coração da Amazônia, pauta do PV. Lélis entrou mudo e calado está sobre o tema como se não lhe dissesse respeito e ao seu partido e candidatura.
Com efeito, um viés claro na proliferação (amplificada pelos adversários da prefeita) de críticas de médicos bolsonaristas por não ser disponibilizada cloroquina nos postinhos de saúde. Ajudando o governo federal a desovar medicamento comprado na bacia das almas por Jair Bolsonaro e considerado inadequado para a Covid-19 pela Organização Mundial de Saúde. Não funciona e traz complicações cardíacas e depende do receituário do profissional. A maioria prefere a OMS a meter a colher de pau nesse melado. Além de reduzir a disponibilidade do produto para as pessoas que tem doenças como malária, artrite e lúpus.
Pior: conseguirem de jornalistas desavisados (sem qualquer reflexão sobre o que denunciam) passar o conceito de que faltariam equipamentos, insumos e testes que fizeram forma filas de "novos" candidatos à porta do postinho. Uma avaliação fossilizada com perguntas deixadas de fora.
Até a Câmara caiu na esparrela: três vereadores foram a público, no mesmo dia, demonstrar a atuação da prefeita porque não conseguiram colocar quórum para votar requerimento. Apontaram sua mão no não comparecimento de 16 vereadores, quando se sabe a composição da Câmara, com maioria oposicionista.
Não seria eu leviano, que se note, para apontar Lélis como o agente por trás das fakes, como o faz a própria rede social que abriga as verdades alternativas. Mas como beneficiário (ou prejudicado), tem o pré-candidato a obrigação e vir a público negar que apóie o crime, compartilhado por assessores (até mesmo do gabinete da esposa, deputada estadual) e militância
Justamente Lélis que teve, até agora, um perfil moderado, conduta a que não pouca gente atribui, equivocadamente, as suas derrotas nas eleições anteriores. Moderação é, na verdade, ativo. Não seria ilógico raciocinar, comprovadas intenções e gestos, que tivesse refletido na inelegibilidade que expira daqui a um mês. Pode ver no retrocesso (do bem para o mal) um avanço eleitoral.


