O preço da carne, frango e ovos tem previsão de reajuste este ano bem acima da inflação de 5,9% estimada pelo BC. Na carne bovina, 17,6%, suína, 15,1%, frango, 11,8% e ovos, 7,6%.
A justificativa técnica é a escassez do produto e o preço da ração. Tanto a carne quanto farelos de soja, milho e soja – básicos também na ração – tem zero de imposto nas exportações. E o preço do dólar não depende apenas no mercado internacional, mas da política cambial do governo.
Pois bem: no Estado do Tocantins, onde na Capital (última pesquisa de preço Procon/03 de agosto 2021) o quilo de picanha já era de até R$ 70,00, os agropecuaristas exportaram de janeiro a julho um total de R$ 5,9 bilhões.
Só na carne, soja e farelo no mês de julho foram cerca de R$ 800 milhões (conforme o último boletim divulgado esta semana pela Comex/MIDC). De outro modo, os exportadores de carne e matéria prima para ração comercializaram em sete meses 85,5% de tudo que exportaram em 12 meses de 2020: R$ 6,9 bilhões.
Conclusão óbvia: quando mais exportamos, mas ficamos sem o produto ou comprando-o por preços impraticáveis.
E não me venham falar que o governo não tem nada com isto. E que seriam apenas as leis de mercado porque aí entraria uma pergunta óbvia: qual o papel de Estado se não regula as relações na sociedade.


