O governo publicou no DO de ontem o Relatório de Gestão Fiscal do 2º quadrimestre de 2023. O Executivo ainda mantém situação confortável do ponto de vista fiscal.
Os números, entretanto, sinalizam prioridades governamentais. E elas apontam preocupações públicas com benefícios a servidores em desfavor de investimentos em obras e serviços públicos.
De abril a agosto, o Executivo aumentou em R$ 186 milhões as despesas de pessoal. Fechou o 2º quadrimestre comprometendo 44,12% das receitas correntes líquidas com salários.
É o maior comprometimento dos últimos oito quadrimestres (dois anos e oito meses) só comparável ao 1º QD de 2021 (43,51%). Foram 41,30% (2ºQD21), 40,31% (3QD21), 39,14% (1QD22),42,05%(2QD22), 39,35%(3QD22) e 41,40%(1QD23).
Se consideramos os primeiros dois quadrimestres de 2023 tem-se uma inclinação. No 3º quadrimestre de 2022, o governo registrou uma Receita Corrente Líquida de R$ 12,105 bilhões e despesas brutas de salários de R$ 6,810 bilhões.
Uma continha de subtração leva a um aumento de R$ 600 milhões na RCL nos dois quadrimestres de 2023, considerando a RCL publicada ontem de R$ 12,605 bilhões e as despesas brutas de pessoal R$ 7,228 bilhões.
As receitas, portanto, aumentaram, de janeiro a agosto, 4,9% e as despesas com salários elevaram-se em 6,1%. Ou seja, 24% a mais do que o crescimento da RCL.
Por outro lado, o governo só investiu nos dois quadrimestre de 2023 o equivalente a R$ 662 milhões (empenhados). O valor é 28% menor do que os R$ 907 milhões aplicados em investimento dos dois primeiros quadrimestres de 2022, quando a Receita Corrente Líquida era menor: R$ 11,430 bilhões.
Ou seja, com uma RCL no segundo quadrimestre de 2023 cerca de 10,27% superior à RCL do segundo quadrimestre de 2022, o Executivo aplicou este ano em investimentos apenas 72% do que investiu no mesmo período do ano passado.


