Nos últimos dois dias, governo e oposição disseminam um estudo do Banco do Brasil que o PIB do Estado teria crescido 6,1% no primeiro semestre de 2022. E que esse crescimento seria produto, em maior medida, das vendas do comércio.
Isto mesmo!!! A inflação galopante que solapou o poder de compra da população, retirando-o das prateleiras até de alimentos, teria sido a responsável pela elevação do valor das compras!!!! Com implicações no PIB!! É aparentemente surreal a estatística de igual modo como é metafísica a metalinguagem dos candidatos.
Comecemos pelo PIB: em dois dias a OPEP calibrou sua previsão sobre o PIB do Brasil em 2022: 1,5%. Já o FMI (também nestes dias) projeta, agora, 1,7% do mesmo Brasil em 2022. Já o Banco Central do Brasil ajustou (na última segunda) o crescimento do PIB em 2022 para 2,39%.
Entre o indicador da OPEP (que reajusta os combustíveis e a inflação) e o dados do BC de segunda uma diferença de 0,89 pontos percentuais. O equivalente a 59,33%!!!!
E aí temos os dados da análise do BB de que só no primeiro semestre de 2022 o PIB do Estado teria crescido 6,1% quando na LDO o crescimento projetado para o PIB do país é de 2,09%. Nos 6,1% do BB a economia do Estado crescera três vezes mais do que a previsão nacional para o ano.
Paralelo a essa ficção, corre a realidade, indiferente às críticas da oposição e às celebrações da situação. O PIB do Estado era em 2012 de R$ 13 bilhões. Na LDO de 2022, a previsão é de R$ 44,5 bilhões. Nas contas governamentais, um crescimento em dez anos de R$ 31,5 bilhões da economia regional. Um avanço de 242,30%!!!
Nestes mesmos dez anos (ago/2012/ago/2022), o número de pessoas no cadastro único do governo federal (pobreza, extrema pobreza e baixa renda) passou de 244 mil famílias (2012) para os atuais 348 mil famílias. O equivalente a 1,3 milhão de pessoas de uma população de 1,6 milhão.
De outro modo: enquanto a riqueza crescia R$ 31 bilhões na década, a pobreza, ao invés de ser reduzida, aumentava em 102 mil famílias. Ou 408 mil pessoas eram jogadas no cadastro único federal. Os pobres eram acrescidos em 41%!! Isto entremeado por duas eleições estaduais com promessas de governo e de defesas da população nos parlamentos.
Hoje 264 mil famílias tem baixa renda, na pobreza ou extrema pobreza. Ou seja, 76% da população. Apenas 26% das famílias tem renda acima de meio salário mínimo (83 mil).
E os candidatos comparando Tocantins com Santa Catarina (primeiro do ranking de crescimento onde o TO seria o terceiro). Lá o PIB é de R$ 317 bilhões para uma população de 7,3 milhões de pessoas.
No Tocantins, o PIB de R$ 44 bilhões que se quer benéfico à população de 1,6 milhão de pessoas não refuta sequer a matemática que dirá a diferença social. SC como se nota tem apenas 4,5 vezes a população do Tocantins, mas contabiliza 8 vezes mais que o PIB tocantinense.
Há aí, percebe-se, indicativos dos desvios e contrariedade das intenções e gestos dos políticos que, como a seca, ciclicamente se repetem enquanto o desnível social e concentração de renda seguem geometricamente.
E para finalizar: no ano passado o governo registrou uma arrecadação tributária de R$ 5,4 bilhões (cerca de 25% do PIB) enquanto um milhão de pessoas foram beneficiadas ou com o Bolsa Familia ou Auxílio Brasil.
As notas fiscais eletrônicas do consumidor movimentaram em 2021 o volume de R$ 16,5 bilhões no Tocantins, resultado da emissão de 159 milhões de notas fiscais ao consumidor. No atacadão (empresários) as notas fiscais eletrônicas mobilizaram R$ 224,8 bilhões em 17,4 milhões de documentos fiscais.
Para o PIB de R$ 41 bilhões previsto no ano passado. E vamos aos comícios, colar preguinhas e distribuir santinhos, minha gente!! Agora vai!!


