Os sindicalistas se mobilizam para reivindicar concursos públicos no governo. E, convenhamos, foram impulsionados pela própria ação do Executivo que prometeu mais 500 policiais (quando há um contrato para mil) e acenou com contratações no quadro geral. Enquanto prorrogava pagamento de progressões/promoções e congela passivos com o funcionalismo.
A reviravolta política do Executivo denota a possibilidade de que o processo eleitoral esteja influenciando no planejamento do governo que pode fechar o segundo quadrimestre ainda na faixa dos 43% da RCL com pessoal, mas com viés de subida.
Como é sabido, este índice tem muito da ação do Executivo mas a despesa bruta contabilizada e a despesa utilizada para o cálculo da LRF dão ao indicador a natureza de uma ficção. Isto porque são retiradas determinadas despesas que não deixam de ser gastos, apesar de não entrar no cálculo.
No papel, o Estado registrava até 2020 (Boletim de Entes-subnacionais/STN) o terceiro maior gasto per capita com salários de servidores dentre as 27 unidades federativas do país. E o quarto menor PIB. Tinha, portanto, menos recursos, mas pagava proporcionalmente mais que os Estados ricos.
E na avaliação dos sindicalistas (como vai no T1 Notícias) se for para fazer concurso, tem que ser para contratar de 4 a 8 mil servidores. Somando os mil autorizados, mas os 500 já prometidos, o Estado contrataria algo próximo de mais 10 mil servidores.
E qual é a atual situação: retirando os cerca de 15 mil contratos/comissionados (que poderiam dar lugar a concursados), o governo tem uma folha de R$ 276 milhões mensais (dados de 31/12/2020) com servidores efetivos civis e militares e aposentados/pensionistas. São 34 mil e 875 civis e 5 mil e 472 militares. Nos civis, o rendimento médio é de R$ 6 mil e nos militares, R$ 11 mil.
Não são dados sugestivos de que se possa abrir a porteira dos gastos.


