A história do Estado necessita ser recontada na forma correta. Essa foto aí tem 34 anos, quando grande parte da populaçao do Estado sequer havia nascido. Para se ter uma idéia, conforme o IBGE a idade mediana da população do Estado é de 29 anos!!!.É uma faixa etária que, sem qualquer resistência ou esclarecimento da sociedade política e historiadores, crê, como membros de uma seita, em outra narrativa que vai devagarinho se transformando em lenda, em desfavor da história passada e da história futura.
E aí a história vai se desennrolando impulsonada por gratidões pessoais que a manejam, como parte excluindo o todo Esta foto aí é de 7 de agosto de 1987. Um ano antes da criação do Estado. É o registro da entrega das 72 mil assinaturas coletadas pelo Comitê de Criação do Estado do Tocantins ao então presidente da Câmara dos Deputados, Ulisses Guimarães.
A entrega foi feita pelo presidente do Comitê, Darci Coelho, então juiz federal que ocupava o cargo de chefia da Justiça Federal no Estado de Goiás, depois de ser promotor de justiça, juz estadual e procurador do Ministério Público Federal goiano.
Siqueira Campos era apenas um deputado bocudo (e mentiroso como o tratou o ex-prefeito Odir Rocha em entrevista a meu programa Coisa Nossa, no SBT), aliado dos militares. Não há um benefício sequer relevante que ele tenha trazido para o Norte de Goiás como deputado.
Sua predileção era rivalizar com o senador biônico Benedito Boa Sorte (nomeado senador pelos militares), numa disputa Colinas X Araguaína E só. Despachava para o Norte goiano uns dias antes das eleições e pronto.
Nada, por sinal, muito diferente de outro federal da época, e que, como Siqueira, dizia representar o Norte goiano José Freire (MDB). direto de Arraias, mais próximo de Brasília e Goiânia do que do corredor da miséria. A populaçao do Estado conhecia mais Jarmund Nasser, Ruy Brasil ou Irapuan Costa e Otavio Lage.
Aliás, a maioria dos deputados na época era a mesma coisa. Seus hoje herdeiro politicos sequer pisavam por aqui Tinham passagens aéreas e moradias em Goiânia e Rio de Janeiro. Todos os políticos da época ainda vivos, sabem muito bem disso. Mas se calam e deixam prosperar uma narrativa paralela.
No seu discurso quando recebeu o abaixo assinado no dia 7 de agosto de 1.987 (que passou como nuvem ontem) Ulisses pontuou que não seria necessário plebiscito para a criação do Estado em função do número de assinaturas. E que elas (as assinaturas) evitariam o uso político individual de sua criação com pessoas dizendo-se responsável pelo Tocantins apropriando do sentimento secular do nortense. Tudo registrado nos anais da Câmara dos Deputados. Público. Assim como tudo que não foi respeitado 34 anos depois.
Para rememorar o fato, republico neste domingo texto que postei no dia 1º de novembro de 2019 (com entrevistas do Brito Miranda/in memorian e o ex-deputado federal, vice-governador e juiz federal aposentado Darci Coelho, (que foi o presidente do comitê de criação), contando parte da narrativa real da criação do Estado do Tocantins. Espero que ajude a clarear impressões sobre a história do ex-Norte e sua autonomia.
Sem Siqueira, projeto de criação do Tocantins teria maior dificuldade no Congresso. Mas se Legislativo goiano não autorizasse divisão, nada feito
Nunca me gabei disso", confessa ao blog o ex-deputado Brito Miranda confrontado com o fato de que, não fora ele, a criação do Estado do Tocantins não seria incluída na Constituição de 88. Natural de Pedro Afonso, Brito estudou em Porto e foi cedo para Goiás (como fazia a maioria dos jovens do Norte), onde trabalhou nos governos de José Feliciano, Mauro Borges, Henrique Santillo e Iris Rezende, como titular de cargos e líder político no Executivo e Legislativo goianos.
Brito, então líder do governo Henrique Santillo (PMDB) na Assembléia Legislativa de Goiás, foi o responsável pelo convencimento de 41 deputados (unanimidade) pelo consentimento à divisão do Estado. Uma exigência do presidente da Comissão, então senador José Richa, para inclui-lo no projeto.
Brito explica que Richa, na verdade, queria justificar a não inclusão da divisão dos Estados do Maranhão, Pará e especialmente de Minas Gerais (criação do Estado do Triângulo), todos querendo separação. A resistência mais forte era em Minas (Triângulo) e Pará (Carajás).
"O Estado do Triângulo seria o que viria a ser o celeiro da indústria mineira e do país. Minas toda era contra, as bancadas não aprovavam", diz Brito. "O Richa então impôs a dificuldade a todos que queriam divisão, obrigando a necessidade de unanimidade, quase impossível numa questão que envolvia divisão de território e sentimento". Isto, resume Brito Miranda, justifica o fato de apenas o Estado do Tocantins ter sido criado pela Constituinte, salientando que Amapá e Roraima já eram territórios.
"Santillo me disse: Miranda, você é jeitoso, dá um jeito nisso". O então governador de Goiás tinha receio de entrar na cooptação de apoios dos deputados a uma causa que ele próprio defendia, porque tinha, segundo ele, sido eleito para governar a "inteireza do Estado" e não parte dele, diz Brito. "Foi uma façanha muito grande, a criação do Estado tinha oposição das oligarquias goianas, representadas nos Caiado e nos Ludovico, pelo ex-governador e então deputado federal Mauro Borges".
O ex-deputado federal e ex-vice governador, Darci Coelho, vai mais além: a criação do Estado foi a convergência de interesses da sociedade política e sociedade popular. Ele – que foi o presidente da Comitê Pró-Criação do Estado que recolheu as 72 mil assinaturas que embasaram a emenda popular – disse a este blog que a junção das emendas (de Siqueira Campos com a do Comitê) foi o expediente fundamental para a tramitação e aprovação pelo Congresso.
Juiz federal aposentado, Darci Coelho foi o encarregado de entregar ao então deputado e presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, o projeto de emenda popular. Ele diz que foi uma luta difícil. "O Sarney (ex-presidente) já havia vetado por duas vezes a criação do Tocantins, mesmo depois de aprovado pelo Congresso". Mais tarde, Sarney tentaria descolar uma candidatura ao Senado pelo Tocantins que vetara. Darci explica que o Norte de Goiás, por exemplo, tinha a mesma representação política das cidades goianas de Anápolis ou Inhumas: quatro deputados estaduais e dois federais.Segundo Darci, as assinaturas valeram como a idéia para que a emenda parlamentar de Siqueira Campos ganhassem maior representatividade. "O Ulysses (Guimarães, então presidente da Câmara) quando entregamos o projeto de emenda popular chegou a dizer que não precisaria de plebiscito porque as assinaturas em apoio à criação já eram suficientes", adianta.
O resultado é que o Estado do Tocantins foi criado no artigo 13 das Disposições Transitórias da Constituinte de 1.988. O projeto teve a aprovação da maioria parlamentar. Encerrada a Votação 718, no dia 29 de junho de 1.988, o presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, proclamava o resultado: 367 deputados aprovavam a fusão das emendas e a criação do Tocantins. Apenas um parlamentar votou contra (Ademir Andrade) e houve 11 abstenções. Dentre as abstenções, destaque para o deputado Luis Eduardo que, anos depois, nominaria a maior hidrelétrica do Estado, a de Lajeado. Por decisão de Siqueira Campos.


