A bancada congressistas do Estado (deputados federais e senadores) é assumidamente bolsonarista. São 11 parlamentares eleitos no palanque de Jair Bolsonaro em 2022. E já estão a defender sua plataforma nas eleições municipais.
E o sentido do determinismo parlamentar não é derivado dos votos do Estado que negaram, peremptoriamente, em duas eleições, escolher os princípios bolsonaristas. Jair foi derrotado no Estado em 2018 (48,9% dos votos) e em 2022 (48,64%).
Ou seja: foi derrotado duas vezes em suas propostas e teve, de uma eleição para outra, reduzido seu apoio. Ah LA, mas votaram nos deputados e senadores dele!! Sim. Mas voto proporcional é diferente de voto majoritário.
O primeiro diz respeito ao micro, o segundo ao macro. E se está diante de uma questão macro: uma democracia ou uma ditadura.
Obviamente que os parlamentares (por não expressar-se sobre o assunto) não enxergariam qualquer ilegalidade ou absurdo no monitoramento, agora exposto pelo STF/PGR/PF, da Abin – a mando do Presidente – daqueles que o Mito deduzia ser seu adversário.
No uso do poder de Estado (polícia) para grampos telefônicos ilegais e localização de pessoas ou embaralhamento de investigações que atingissem os filhos do presidente. Pior: auxiliá-los na sua defesa. Tudo pela PF, Abin e GSI. Uma empresa contratada (sistema) por R$ 5 milhões.
Ou seja, já existiria no governo de Jair Bolsonaro uma polícia política, a exemplo do expediente na ditadura militar. Pronta para eliminar adversários políticos na sua rede criminosa de fake-news.
Quando vejo bolsonaristas criticando (e com indiscutível razão) os métodos e modos de integrantes da polícia do Tocantins no governo de Mauro Carlesse naquele flagrante contra um inocente (que ainda está tramitando na Justiça) ou defendendo delegados que se diziam perseguidos pelo ex-governador, fica-se em dúvida sobre os motivos por que com Mauro Carlesse se utilizaria uma régua reta e com Bolsonaro um transferidor.
Ainda que dois erros não fizessem um acerto, os parlamentares seguem no bolsonarismo, justificando que haveria algo de bom quando tudo indica pode ser pior ainda.
Leia textos da decisão de busca e apreensão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, a pedido da PF e do MPF, cujo sigilo foi levantado.
(...)
“A utilização da ABIN para fins ilícitos é, novamente, apontada pela Polícia Federal e confirmada na investigação quando demonstra a preparação de relatórios para defesa do Senador FLÁVIO BOLSONARO, sob responsabilidade de MARCELO BORMEVET, que ocupava o posto de chefe do Centro de Inteligência Nacional – CIN, como bem destacado pela PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA
(...)
Segundo informado pela Polícia Federal, o referido sistema, fornecido pela empresa Cognyte Brasil S.A., é capaz de identificar a Estação Rádio Base (ERB) indicando a localização de qualquer celular monitorado. Em virtude de representação anterior da Polícia Federal, no curso dessa mesma investigação, na PET 11840 foram deferidas quebras de sigilos, bem como decretadas as prisões de RODRIGO COLLI e EDUARDO ARTHUR IZYCKI, e na PET 11108 foi determinado o afastamento do sigilo de dados e de comunicações telemáticas de investigados relacionados aos fatos
(...)
Forma de atuação: delegados federais que, ao tempo dos fatos investigados, estavam cedidos para ABIN exercendo funções de Direção e utilizaram o sistema FIRST MILE para monitoramento de alvos e autoridades públicas, bem como para serviço de contrainteligência e criação de relatórios apócrifos que seriam divulgados com o fim de criar narrativas falsas.
(...)
213. O arquivo “Prévia Nini.docx”, por seu turno, retrata ação deliberada de desvirtuamento institucional da operação de inteligência em comento. Neste documento, identificou-se anotações cujo conteúdo remete à tentativa de associar Deputados Federais, bem como Exmo. Ministro Relator Alexandre de Moraes e outros parlamentares à organização criminosa PCC. (…) 214. Não somente o ministro relator, mas também com o Exmo. Ministro Gilmar Mendes houve a tentativa de vinculação com organização criminosa.
Esse gravíssimo fato também é destacado no parecer da PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA, ao ressaltar que: “O arquivo ‘Prévia Nini.docx’ mostra a distorção, para fins políticos, da providência, indicando a pretensão última de relacionar a advogada Nicole Fabre e os Ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, alimentando a difusão de fake news contra os magistrados da Suprema Corte”.


