A mistura de poder público com campanha eleitoral embola dados. E com isto reduz a percepção de grandezas numéricas de parcela da população acerca do desempenho da administração estadual que, se não é o melhor dos mundos, tem registrado resultados, do ponto de vista econômico, financeiro e fiscal, diametralmente opostos aos de governos anteriores integrados, em larga medida, por deputados e senadores hoje na oposição.
O desafio de Mauro Carlesse é fazer chegar estes números aos eleitores, demonstrando como pegou o Estado e mostrando as ações desenvolvidas para superar a inadimplência que caminhava para a insolvência pura da administração. Mais: devolver à população em benefícios o que arrecadou no financeiro afinal governo não é banco para captar e poupar recursos.
Não sem razão, Marcelo Miranda havia espetado no armário uma dívida de R$ 2,3 bilhões não contabilizada, incluída por Carlesse no Orçamento por determinação do TCE e da qual já quitou R$ 1,2 bilhão.
Pode fazer mais acertos como já sinaliza pagar progressões funcionais de servidores e a data-base. Números publicados recentemente pela Secretaria da Fazenda apontam que receitas livres do Estado (fonte 0100) podem fechar o ano com R$ 1,2 bilhão acima do previsto.
De janeiro a abril deste ano já haviam sido arrecadados nesta fonte R$ 2,425 bilhões. Numa simples regra de três, tem-se que pode fechar 2021 com R$ 7,275 bilhões contra a previsão de R$ 6,060 bilhões do orçamento. Um valor 20% acima do previsto. Recursos de livre aplicação.
Por outro lado, a dar como válidos os números do portal das transparências desta segunda, o governo arrecadou de janeiro a junho de 2021 (receitas totais) R$ 5,350 bilhões. Um valor 12,4% superior aos R$ 4,757 bilhões de janeiro a junho de 2020.
Este avanço das receitas foi acompanhado por um crescimento de despesas de apenas 3%. O governo empenho de janeiro a junho deste ano R$ 5,351 bilhões e R$ 5,114 bilhões de janeiro a junho de 2020. Se compararmos o liquidado, a diferença cai mais ainda: 0,4%. Ou seja, R$ 4,558 bilhões este ano e R$ 4,536 bilhões de janeiro a junho do ano passado.
De outro modo: o governo teria mais razões para provar que tem dado certo do que a oposição comprovar o contrário.


