Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Esse Padilha de Lula é "show"!! Diz que entrega de cargos ao PL, PP e Republicanos nos Estados não é o "toma-lá-dá-cá". Só falta convencer os partidos que sacrificaram-se por Lula como noTocantins do prêmio à avessas!!

29/07/2023 639 visualizações

A entrevista do ministro Alexandre Padilha na Folha deste sábado é um portento de hipocrisia do governo Lula.

Padilha diz que o governo está disposto a entregar cargos federais nos Estados ao PL, PP e Republicanos, diz que isto não é toma-lá-dá-cá e mais: seria a consolidação de uma frente política.

É legítimo governos eleitos (ainda mais com estreita margem de votos) realizarem entendimentos com partidos a que se opuseram em favor da governabilidade.

No que termina se criando um monstrengo presidencialismo-parlamentarista (um sistema inexistente) que só teria licença no cérebro daqueles do “é dando que se recebe”.

Mas é assombroso que essa negociação seja justificada nestes termos e com tais fundamentos: que os cargos não estivessem sendo oferecidos pela governabilidade em desfavor da plataforma partidária eleitoral.

Isto porque golpeia a inteligência do eleitor. E, claro, dos partidos que compuseram o palanque do PT nas eleições enfrentando a base de Jair Bolsonaro.

Estados como o Tocantins, por exemplo, os candidatos de partidos ligados a Lula foram sacrificados pela população. Em favor da eleição de Lula.

O eleitor votou em candidatos proporcionais bolsonaristas numa espécie de compensação ao voto majoritário em Lula. Agora, nem tico, nem taco. Perderam as eleições e não tem instrumento político (cargos) no governo Lula para erguerem-se novamente a um ano das eleições municipais, uma prévia das eleições gerais de 2026.

No Estado, assim, os cargos federais ficarão nas mãos do PL, PP e Republicanos. A composição, portanto, sintonizada com o voto proporcional, tornando vitoriosa a base bolsonarista, ainda que tenha Jair perdido para Lula na disputa majoritária.

E isto levou consequência aos candidatos da base lulista no pleito proporcional. PT e MDB, não por causa disso, mas também por ele, perderam seus mandatos na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa.

De fato, os partidos bolsonaristas (que foram ao palanque de Bolsonaro) – Republicanos/PSD/PL/UB/PP/Podemos/PSC/PTB/DC e Avante – saíram das urnas no ano passado com 569 mil votos para deputado federal (73% dos 779 mil votos válidos). E a base de Lula (PCdoB/PV/Psol/PT/MDB/PSDB/PDT/PSB/Cidadania) apenas 162 mil votos para a Câmara dos Deputados.

Daí saíram das urnas eleitos 16 deputados estaduais e oito federais da base bolsonarista. E um senador, somando três senadores hoje com mandato que, se foram vencedores na proporcional, tiveram derrota na majoritária nos dois turnos: Lula teve 50,40% dos votos no 1° turno e 51,35% no 2°. Contra 44% de Bolsonaro no 1° turno e 48,64% no segundo.

E Padilha quer que a população engula que isto aí não é um toma-lá-dá-cá. Só falta tentar convencer os partidos de sua base (que não elegeram qualquer parlamentar) a ver na entrega do ativo político ao adversário (pelo qual se sacrificaram) como um prêmio pelo sacrifício do mandato.

Uma derrota de grau duplo. E, é bem provável, que o PT engula em favor do seu demiurgo,como os bolsonaristas degustam tudo de Bolsonaro. De outro modo, um seria a imagem do outro refletida no espelho. Só que de forma invertida.

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