Aliados bem próximos do círculo do governador Wanderlei Barbosa negam de "pés juntos" que a ida da deputada Janad Valcari a Lisboa (Portugal) tenha relação com a sucessão na prefeitura da Capital.
O grupo retorna do Além-Mar nesta sexta ao Brasil (conexão em São Paulo). Como o fuso horário Portugal/Brasil é de apenas quatro horas (a mais), esta noite mesmo a maioria já deve estar em Palmas.
Jogam contra a negativa oficial e oficiosa, entretanto, os fatos pretéritos, presentes e as possibilidades futuras. Percebam:
1) políticos,regra geral, quando negam, afirmam. O contrário, afirmar para depois negar, é, na maioria das vezes, falso. Tanto estratégica como no sentido literal da premissa que se quer seja apreendida como verdade absoluta e sem abertura para ser refutada. Seja no campo da retórica quanto na dialética.
2) Janad não teria qualquer assunto urgente a tratar fora do país com o governador ou em favor do Estado, para deslocar-se a Portugal na metade da viagem oficial.
Diferente de Leo Barbosa e Amélio Cayres (atual presidente do Legislativo e o ainda futuro presidente da Assembléia do próximo biênio/mérito se discutindo no STF), Janad é apenas uma deputada estadual de primeiro mandato, depois da metade do primeiro mandato de vereadora, e, como os demais, com o cargo de segunda secretária da Mesa;
3)Fora mera representação e representatividade institucional parlamentar a justificar a viagem internacional, viriam antes de Janad o primeiro secretário (Vilmar Oliveira), o segundo vice-presidente (Gutierres Torquato) e o primeiro vice-presidente, Ivory Lira.
Se, imagine-se, o critério fosse a votação obtida no ano passado, aí sim Janad poderia ser justificada ali, ainda que com alguns senões dado o peso institucional de missões oficiais ser do cargo e não da votação, que é mera representação política.
E missão oficial bancada com recursos públicos ainda que se possa aquilatar ativos políticos, é uma viagem institucional onde os cargos falam mais que os votos. A deputada teve a segunda maior votação no ano passado (31.587 votos). Atrás apenas do próprio Leo Barbosa (32.885 votos).
4) Leo Barbosa (maior votação do Legislativo estadual no ano passado) não pode ser candidato a prefeito porque o pai é governador;
5) Janad foi eleita presidente da Câmara de Palmas para contrapor-se a Cínthia com o apoio decisivo de Wanderlei Barbosa que até convenceu o irmão, então presidente da Câmara, Marilon Barbosa, a deixar a disputa, quando abundavam-lhe condições políticas e jurídicas para uma reeleição tranquila na presidência do Legislativo metropolitano.. Wanderlei, então, era apenas vice. Agora chefia o Executivo estadual.
E 6) Janad é do partido do senador Eduardo Gomes (PL), que anda sem grupo político e aproxima-se de Wanderlei de olho na chapa majoritária de 2026. Ou seja, tudo pode acontecer, inclusive nada.
Mas para Janad - sua trajetória e movimentos apontam - isto de nada está até no nome. De forma que se precisar mudar de partido para disputar a prefeitura, certamente mudará. A janela partidária de março/24 está logo ali na esquina.


