A espécie de disputa de gato e rato (metaforicamente tratada) entre o governador afastado e a comissão de impeachment do Legislativo é expediente que mais prejudica que beneficia Mauro Carlesse.
A comissão – como sempre foi e agora é informado pelo presidente – não sofre solução de continuidade, com o processo podendo seguir independente da citação física do investigado.
Não haveria, ademais, justificativa plausível para se deixar de cumprir os procedimentos e postergar defesa no contencioso no Legislativo com a explícita finalidade de ganhar prazo de julgamento no STJ porque as ações são independentes e de natureza diversa.
Ainda que o STJ decida no colegiado reconsiderar a decisão monocrática de um ministro (pela não reconsideração) do afastamento, fundado em crimes comuns, persistiriam no mesmo STJ as imputações, caso aceite-se a denúncia. E, por aqui, as acusações de crimes de responsabilidade, de competência privativa dos deputados estaduais processar e julgar.
A fuga, portanto, de Carlesse ao processo no Legislativo – que não se dá no Judiciário – contribui para se formar no consciente popular (deputados e instituições locais) o conceito de que teria a Justiça razões para manter o governador afastado, realçando, por derivação, que ele resistisse em prestar contas de seus atos à população do Estado, dado que sequer se prestaria a contrapor-se às denúncias.
Afinal a pessoa não pode correr da Justiça por muito tempo. ´É como um cidadão que pula do 10º andar e em queda livre nada aconteceu até o 5º muito embora o solo o aguarde. Além do mais, quem não deve, não teme, não é mesmo!!! Melhorar encarar o quanto antes aquilo que é inexorável, demonstrar suas razões contra aquilo de que se é acusado. Correr o faz vítima da estratégia porque o torna prisioneiro da acusação que não enfrenta.
Desnecessário inferir que a negação influencie, lá frente, na campanha por outros cargos que o governador afastado, por lógica, deve buscar. Até por questão de foro privilegiado.
Isto se o STJ ou o Legislativo não cassarem seus direitos políticos.


