Sabe um diálogo entre um surdo-mudo e um cego, o primeiro gesticulando para o outro que não enxerga!!!! Pois bem: o deputado Elenil da Penha deu uma entrevista ao Portal CT (do jornalista Cléber Toledo) aparentemente indignado, pelo que se abstrai dos termos.
Motivo: o governo Wanderlei Barbosa só ter em caixa (recebido na posse interina) apenas R$ 300 milhões e não os R$ 2,9 bilhões prometidos pelo governador afastado Mauro Carlesse para o programa Tocando em Frente. Um programa que prevê investimentos (não só estatais) entre 2021 e 2022. Recursos de transferências, parcerias e até do Refis em curso. E que por natureza é uma previsão.
Ele teria sido informado disso na reunião que o Governador interino teria mantido com os parlamentares!! Como é óbvio, a declaração de um e de outro favorece (empresta justificativas) para o cancelamento do programa. Ualalá!!! No que implica, claro, na criação de outro como outro nome, dada a importância dos investimentos para o Estado.
Antes, uma colocação: o governo Marcelo Miranda (do mesmo partido do deputado, MDB) entregou a Carlesse a administração com um resultado nominal (receitas/despesas incluindo serviço da dívida) de R$ 327 milhões negativos (balanço/2017 publicado em janeiro/2018). Ou seja, no vermelho R$ 327 milhões.
O governador afastado Mauro Carlesse publicou no Diário Oficial o balanço do segundo quadrimestre de 2021 (publicado em 29 de setembro de 2021) demonstrando um resultado nominal de R$ 704 milhões positivos. Ou seja, no azul R$ 704 milhões. De outro modo: zerou o déficit de R$ 327 milhões do MDB e ainda acresceu R$ 704 milhões. Contabilmente, um ganho (desempenho superavítário) de R$ 1 bilhão e que poderia ser uma régua mais racional (e prudente) ao deputado emedebista.
Agora sobre os R$ 300 milhões em caixa e não os R$ 2,9 bilhões do programa Tocando em frente, é risível. É como se o governo (que trabalha com receitas a serem realizadas/orçamento) tivesse que ter em caixa, por exemplo, no dia 1° de janeiro de 2021, os R$ 10,9 bilhões do orçamento aprovado pelo parlamentar para o exercício.
Não é por aí que Elenil terá o respeito de seus eleitores e do próprio Governador interino. Deveria isto sim realçar o ganho fiscal do governo que até ontem apoiava. Tanto ele quanto Governador interino.
Mesmo nas suas diatribes de amplificar o aumento do número de vagas no concurso da Polícia Militar, quando as provas já haviam sido realizadas com vagas determinadas. Incremento que o parlamentar vociferou ter sido uma conquista sua junto ao Governador afastado, ainda que legalmente impossível de ser implementada.


