A oposição a Mauro Carlesse (passado menos de dois anos das eleições) tem encontrado dificuldades para fazer-lhe frente. Ontem, por exemplo, ainda que tivesse alguma correção na entrega das máquinas (de suas emendas), tiveram suplantadas suas queixas pelo desempenho operacional e administrativo do governo. É público (dados da Secretaria do Tesouro Nacional) que o governo age correto do ponto de vista do equilíbrio fiscal, paga em dia (ainda que só o líquido) e a situação da saúde pública já esteve pior.
E isto enfrentando uma crise financeira sem precedentes (economistas do país já falam esta semana em recessão) e combatendo uma pandemia com cerca de dez mil contaminados e duas centenas de mortos no Estado. Não é pouco. Há equívocos monumentais, mas o saldo entre acertos e erros apontam mais aqueles que estes.
É o caso do projeto em curso que pode mudar, para melhor, a logística de transporte no Estado. Algo prometido e nunca colocado em prática por ex-governadores na forma proposta. Excetuado o debate político sobre método e forma, acerta na ação o governo ao colocar na sua agenda política e econômica, com certo grau de prioridade, a questão.
Depois de aprovar instrumentos fundamentais (processo legislativo e encaminhamento a bancos dos empréstimos necessários) para a duplicação das rodovias Palmas/Porto Nacional e Palmas/Paraíso, Mauro Carlesse deve, nos próximos meses, dar o mesmo tratamento à rodovia Transcolinas.
Uma via que liga a produção do Pará/Mato Grosso (e do Oeste do Estado) a BR-153 e ao terminal da Norte-Sul de Palmeirante, passando por Colinas. Como apurou o blog com setores do governo ontem a T0-335 (que vai dar na BR-010 na outra margem do rio Tocantins) está no radar do Palácio.
Adicionando à duplicação Palmas/Paraíso, Palmas/Porto, as pontes de Porto Nacional/Xambioá, a rodovia Transbananal (Mato Grosso/Tocantins/Bahia, em estágio avançado de debate) e a Transcolinas ligando à BR-010, espinha dorsal da logística de transporte da margem direita do rio Tocantins (como a BR-153 o é à esquerda), de Brasília a Belém, onde localiza-se o porto de Vila do Conde, tem-se uma infraestrutura capaz de atrair investimentos e elevar a produção. Faltaria apenas a TO-235, ligando Piauí ao Pará (passando pela ferrovia e cruzando a BR-010 e BR-153) para completar o ciclo.
São projetos defendidos desde antes a criação do Estado e que, agora, vê-se a possibilidade de viabilização. A duplicação Palmas/Porto e Palmas/Paraíso pelo menos três ex-governadores já anunciaram os projetos. Alguns até contrataram estudos sem informar como viabilizariam as obras. Hoje são claros os empréstimos e as tratativas com os bancos.
E por que isto é importante: o custo de produção da soja no Estado é hoje de R$ 734/tonelada. O custo logístico por volta de R$ 132/tonelada. O Estado já tem uma ferrovia interligada a ramais que a levam ao porto de Belém (PA), São Luis (MA) e, para o Sul aos portos de Santos.
Em larga medida subutilizada em função da precariedade das rodovias que transportam a produção a suas plataformas. E fazendo uso de outros modais (ou de modais ineficientes como rodovias em precário estado de conservação) o custo da logística aumenta o valor do produto e reduz competitividade no mercado.
Só os Estados do Matopiba (que se utilizam mais diretamente até agora dos modais) tem uma estimativa de safra de grão 2019/2020 de 27,8 milhões de toneladas. Um PIB (na região do quatro Estados que formam o Matopiba) de R$ 46,9 bilhões e seis milhões de habitantes. Sendo que 36% do PIB e 25% da população são do Estado do Tocantins.


