As escolas particulares estão autorizadas pela prefeitura a voltarem a funcionar no sistema presencial e híbrido (em escalas) a partir desta segunda.
Cínthia Ribeiro decidiu seguir a decisão de Mauro Carlesse que na sexta “autorizou” o mesmo expediente no Estado. Diferente da reação da prefeita a decretos anteriores do Palácio quando ainda não era aliada política do Governador.
Cínthia tem a seu favor a mesma argumentação do governo: projetada redução da curva ascendente de contaminados e óbitos. E preocupa-se com empregos, empregados e empregadores.
São auxiliados na tese com a média móvel sustentada diariamente em nível nacional pela Rede Globo e consórcio de veículos de comunicação e que oscila na proporção da circulação do Covid-19.
De sorte que o poder público engaveta as oscilações para cima e as aproveita na queda circunstancial.
Ontem, por exemplo, no Fantástico, se informou no Estado uma queda de mais de 40% no número de óbitos, comparado com duas semanas anteriores, apesar de no país o número ter aumentado após uma semana.
Estados não tem cerca ou muros que impeçam o vírus. E os números relativos não condicionam os absolutos. Pelo contrário.Se havia duas mortes num dia e no outro caiu para uma morte, ter-se-ia relativamente uma queda de 50% que não atingiria, em absoluto o registro dos óbitos.
Se passa de um óbito para dois óbitos, seria, assim, um crescimento de 100% no número de mortos. Apenas um caso (para cima ou para baixo) poderia ser utilizado com valores relativos diversos e de formas diferentes.
A liberação de Cínthia foi estendida também a bares e restaurantes, atendendo a reivindicação do setor e que poderão abrir até as 22 horas. Uma decisão também política.
Não haveria, com efeito, que não apenas administração de danos à imagem de compromisso contra o Covid-19, autorizar os bares a partir do dia 21, sexta-feira, cinco dias após a liberação das escolas particulares. Tudo em um mesmo decreto. Tanto em restaurante como em bares não se bebe ou se come de boca fechada sem liberar saliva.
Economicamente, o setor reclamava perdas. Não precisa de maior esforço para identificar que os empresários utilizavam-se dos empregados para reabrir seus negócios. Que, na verdade, estavam autorizados a abrir ainda que com restrições.
Tanto é que a emissão de notas fiscais ou o recolhimento de impostos (que é feito mediante a movimentação econômica) segue em alta tanto na Capital como no Estado.
Em Palmas, de janeiro a maio deste ano (menos de cinco meses), as receitas tributárias já somam R$ 118 milhões contra uma previsão anual de R$ 308 milhões (12 meses). Só de ISS foram R$ 40 milhões.
Outro indicador demonstra que a economia não está paralisada: de janeiro até hoje a prefeitura havia arrecadado de taxa de funcionamento de estabelecimentos o montante de R$ R$ 4,5 milhões para uma previsão anual de R$ 6,2 milhões.
No Estado a situação não é diferente. O comércio recolheu de ICMS de janeiro a abril de 2021 um total de R$ 374.709.605,00. O valor é 40,58% superior aos R$ 266.554.950,00 de janeiro a abril de 2020.
O comércio arrecadou (movimentou) mais dinheiro que o setor de combustíveis com R$ 350.021.262,00 em 2021, 8% acima dos R$ 324.088.665,00 de 2020. Ou mesmo do setor de energia elétrica que recolheu no primeiro quadrimestre de 2021 R$ 139.443.593,00 contra R$ 117.664.000,00 do mesmo período do ano passado.
A chiadeira, assim, era mais política do que econômica, observada a movimentação dos impostos e do comércio de modo geral. É esperar a pressão sobre o número de contaminados e óbitos que a falta de distanciamento cientificamente proporciona.


