É óbvio que iria estourar a qualquer momento. Por enquanto, se desenvolve no Congresso (Comissão Especial da Bancada) mas para impregnar-se no consciente popular é questão de horas. O déficit de ações do governo estadual no combate à pandemia é inversamente proporcional ao superávit de recursos financeiros que tem recebido diretamente para aplicar no corona vírus no Estado.
A Secretaria de Saúde tem se limitado a ações burocráticas e o resultado não poderia ser outro: 95 mortes em 20 dias e 6 mil e 676 novos contaminados de 1º a 20 de julho. Um crescimento de 59% em duas semanas e meia no número de casos e expressivos 46% de mais óbitos. Ontem já haviam 17.898 caos e 299 óbitos.
Mantida a aceleração de crescimento (e tudo indica que assim acontecerá porque não se tem conhecimento de ações diferentes do governo) pode-se alcançar no final do mês (daqui a uma semana) a 350 mortes e 22 mil contaminados. Ou: 1.400 casos/100 mil habitantes. Hoje o Estado já registra 1.081 casos/100 mil habitante contra os 1.008/100 mil da tragédia no país.
E o que se tem do outro lado: o governo federal já repassou somente para a Covid o montante de R$ 566 milhões. Já depositados na conta do governo. E ontem, em audiência remota na Comissão da bancada, a senadora Kátia Abreu (coordenador) apontou que, com as emendas parlamentares, o governo já tem R$ 850 milhões para a Covid.
Isto aí equivale a 50,2% de todo orçamento da saúde no Estado para 2020, da ordem de R$ 1,690 bilhões a mais nos cofres do tesouro estadual. Ou seja, o governo, até agora, tem à disposição para o sistema de saúde (aí incluso o combate e prevenção à Covid) o montante de R$ 2 bilhões e 540 milhões. Só este ano.
E o que se tem: o aumento exponencial do número de óbitos e casos (dentre os maiores crescimentos do país) e, como se viu ontem na reunião da comissão, denúncia dos sindicatos dos médicos e enfermeiros que faltam EPIs, máscaras, testagem e leitos!!! Precisando que o Tribunal de Justiça acuda os profissionais com a compra de equipamentos!!!
Há, evidentemente, aí uma pergunta que não quer calar: onde o governo está aplicando este meio bilhão de reais que já entrou na sua conta no Banco do Brasil. E a Secretaria de Saúde faz de conta que não é com ela, limitando-se a notas burocráticas de que desenvolve ações que não estão surtindo resultados, como é lógico. Tanto a aplicação dos recursos quanto à falta de equipamentos, insumos e testagem, fundamentais no combate à Covid.


