A campanha tem sido antecipada no grupo adversário de Mauro Carlesse. Uma ação temerária diante de ação política contrária do Chefe do Executivo estadual que cuida de afastar seu nome de candidaturas, mesmo candidato sendo.
O entrevero entre o senador Irajá Abreu e a prefeita de Miracema, Camila Fernandes, é exemplo eloquente da irracionalidade eleitoral que mistura institucionalidade com política partidária.
A priori, os 14 mil eleitores de Miracema (10º maior colégio eleitoral do Estado) justificariam menos o desencontro do que a exasperação política dos pólos conflitantes que se desenrola nas coxias.
Irajá apoiou a reeleição de Saulo Milhomen e Camila teve o aparato de outro senador, Eduardo Gomes. Um embate que vem desde 2018.
O senador Irajá (que anda divulgando um poste como candidato do PSD ao governo) tem pretensão de disputar o Palácio Araguaia.
Não é segredo o seu projeto tanto que antecipou Edson Tabocão, ilustre desconhecido no Estado, para esquentar a vaga enquanto faz proselitismo atemporal.
De qualquer forma, a exigência da participação do ex-prefeito Saulo Milhomen na audiência com Camila renderia fato político numa oposição carente de mostrar resultdos.
A exigência do parlamentar de ser recebido pela prefeita acompanhado de adversário ferrenho da chefe do Executivo municipal, numa campanha do mais baixo nível há menos de um ano, soou, não sem razão, por isto, como mera provocação e completamente desnecessária.
Recebendo, assim, a reação da prefeita, afinal tanto Camila como Irajá tem noção exata das consequências políticas do encontro que levaria a Saulo Milhomen o bônus de eventual obra física carreada por “seu” senador.
Ainda que a obra dependesse diretamente da anuência da prefeita que o derrotou na eleição passada. Camila seria tomada como um fantoche subordinado ao ex-prefeito, ora bolas.
E deputado, senador ou mesmo governador necessita de aval da prefeita eleita para captar recursos orçamentários. É o prefeito que viabiliza espaço, autorização e, não mais relevante, apresenta os projetos ao governo federal.
Mesmo que muitos parlamentares entreguem, não em troca de nada, os projetos prontos para os prefeitos endossarem.
Além disso, se os prefeitos não apresentarem documentação, contrapartidas ou não quiserem politicamente realizar a obra, nada feito. Babau colher de pau para parlamentares e empreiteiros.
É no município que a coisa se desenrola e se desenvolve.


