Os organizadores negam coloração política mas não haveria outra razão correspondente que justificasse um “grito do agro” como esse proposto em plena colheita e novo plantio da soja (20 de fevereiro).
A soja é responsáel por 54% das exportações (US$ 1,35 bilhão/R$ 7,9 bilhões no ano passado)
E com ilustres convidados como Ronaldo Caiado (GO) e Mauro Mendes (MT), dois portentos signatários do mais bruto e radical bolsonarismo-raiz.
Daí a não participação da Aprosoja e da Federação da Agricultura do Estado. No que anteciparia o fracasso do movimento da Frente de Entidades do Agronegócio Tocantinense que, ao que parece, não faz frente ao agro.
A justificativa era “um alinhamento” com o governo. Ora, ainda que a pauta se mostrasse legítima, alinhamento com manifestações públicas paredistas não alinha nada.
E sim confronta pelo estabelecimento de pressão decorrente do cabo de força. Um emparedamento ao governo eleito.
A divisão que provocou no setor anuncia que os maiores produtores aprovariam as ações de Wanderlei Barbosa no que lhes diz respeito. Os manifestantes já começaram perdendo.
E que, por sinal,tem dado segurança jurídica sim ao agro. Wanderlei não só manteve,mas melhorou para os produtores rurais no que lhe concerne como redução de impostos e elevação de reunúncias fiscais. Não há no Estado confronto entre produtores e governo.
Do ponto de vista pragmático, a população do Estado já vive de cócoras para o agronegócio que não reduz a pobreza na proporção dos lucros estratosféricos.
Dos R$ 14,6 bilhões (cotação do dólar desta quarta) exportados pelo Estado no ano passado, R$ 12,6 bilhões (86,3%) entraram nos cofres do agronegócio.
A agricultura e pecuária, no entanto, recolheram em 2024 apenas R$ 66 milhões de ICMS (1,1% da arrecadação total de ICMS, R$ 5,9 bilhões).
Os produtores individuais (61 mil produtores) recolheram apenas R$ 40 milhões de ICMS em 2024 (relatório da Sefaz/jan/2025).
Disto aí resultou um Valor Bruto da Produção do agro no Estado em 2024 de R$ 21 bilhões (um terço do PIB). Isto é 22% do VBP de todos os Estados da região Norte (sete Estados).
Isto tudo sem pagar impostos (exportação) e tarifas de 2% e 3% na circulação interna. Das renúncias fiscais de R$1,7 bilhões de 2024, algo próximo de 30% destinavam-se ao agro. Já tendo essa alíquota diferenciada.
E quando o governo precisou elevar de 0,2% para 1,2% o Fundo Estadual de Transportes, subiram nas tamancas e foram ao STF.
Para quê: para poderem continuar transitando suas cargas pelas rodovias do Estado sem pagar adicional pelo peso extra que colocam sobre as rodovias. E levando mais mortes nas estradas.
Obrigando ao governo destinar orçamento contínuo para operações tapa-buracos.
Se de alinhamento carecesse a relação produtores/governo deveria ser proposto pelo Executivo estadual: cobrar reciprocidade do setor.
Disto se tem que o grito do agro se propõe, na prática, a aglutinar forças para embates maiores no campo político. Dispõe-se a checar o quanto se mobiliza num embate político-partidário ou ideológico.


