A sucessão da prefeita Cínthia Ribeiro tem levado pré-candidatos a cavoucarem espaços como se lutassem por um prato de comida.
Deixando de lado a prudência necessária sobre a exposição pública a 15 meses das urnas (6 de outubro/1° turno), numa cidade que terá, ainda, o 2° turno no dia 27 de outubro de 2024.
Palmas registrava em maio/23 um total de 200 mil e 505 eleitores. Cerca de 11% a mais que os 180 mil e 524 da última eleição municipal de outubro de 2020. Ou seja, eleição pode ser decidida no segundo turno.
É o que se apreende das movimentações desta semana. A deputada Janad Valcari (PL) com Wanderlei Barbosa em Lisboa (Portugal) e Vanda Monteiro (UB) e Junior Geo (PSC) acenando no palanque de Cínthia Ribeiro.
Tudo na mais absoluta naturalidade - na avaliação de assessores e aliados que negam contornos políticos aos encontros- como se estivessem caminhando no Parque Cesamar ou atravessando os 5 mil km de largura do Oceano Atlântico com um picolé em cada mão. Sem preocupar-se ou mesmo ocupar-se de derretimentos ou afogamentos consequentes e correspondentes à exposição..
O mesmo se dando com Vanda e Geo, sugerindo, suas aparições e concordância tácita da prefeita (que não é dada a aceitar e fazer mesuras com adversários no seu palanque), para uma composição. Poderiam estar aí os dois candidatos do segundo turno. Um com um pé no governo (Janad) e outro na prefeitura (Vanda ou Geo).
Mas ainda ter-se-ia Carlos Amastha, Eduardo Siqueira, Ricardo Ayres, Valdemar Junior e até Irajá Abreu. Assim como em um ano (prazo ate as convenções de julho de 2024) muita coisa estaria por vir ou poderia suceder no espectro político, partidário e eleitoral metropolitano.
Tomando-se os elementos preponderantes da semana (Janad/Vanda/Geo) é necessário ver os ativos do trio e daqueles que, a priori, teriam como impulsionadores.
Janad obteve no ano passado na Capital 13 mil e 444 votos dos palmenses. Foi a deputada preferida pelos eleitores de Palmas. Teve quase o dobro dos 7.325 de Vanda e 7.661 de Geo.
E, tudo indica, pode emparedar o senador Eduardo Gomes, presidente do PL, seu partido, mas aliado de Cínthia e Dorinha Seabra. O mesmo Eduardo que faz questão de ressaltar não trair aliado (Ronaldo Dimas está aí). Mas tem a agravar-lhe a situação na equação sua proximidade com Wanderlei que levou Janad à Europa.
Janad teve 4 mil e 309 votos a mais do que Eduardo Mantoan (9.135 votos em Palmas) – candidato de Cínthia no Legislativo estadual - e também o dobro de Leo Barbosa (7.193 votos), filho do governador Wanderlei Barbosa. Mas eleição municipal, ao contrário da estadual, é quase um dogma dos marqueteiros, começa na porta de casa do cidadão.
E aí as possibilidades de Vanda e Geo. A prefeita Cínthia Ribeiro (considerando eleições municipais) pode ter avançado junto à população com sua administração na cidade. Palmas está indiscutivelmente bem cuidada e com as contas em dias.
As obras de Cínthia tem registrado maior visibilidade do que a ação tímida do Palácio Araguaia nas ruas de Palmas. Diferente de gestões passadas quando o governo chegava a rivalizar (competir) com a prefeitura em obras na Capital.
Apesar de ter aumentado (triplicado) os investimentos no Estado, Wanderlei Barbosa tem sido tímido em Palmas, abrindo possibilidade de se avaliar que não interessaria politicamente ao Palácio fortalecer a ação de Cínthia apesar do bom relacional institucional e político entre ambos. Afinal, obras dão votos.
E aí a tática favoreceria resultado inverso: pouca percepção do trabalho de Wanderlei na cidade que tem sido suplantado pela preocupação que tem tido com servidores mais captada do que benefícios públicos propriamente ditos à população palmense.
Em 2020, Cínthia (enfrentando uma fila de adversários) saiu das urnas com 36,24% dos votos dos palmenses (46.243 votos). Geo teve 14,52% e Vanda 8,68% dos votos para prefeito da Capital. Eli Borges 13% e Marcelo Lélis 3,36%.
Já Eduardo Gomes (ainda aliado de Cínthia) teve para senador em 2018 na Capital 16,74% dos votos da cidade. Outra aliada do Paço, Dorinha Seabra (que formou majoritária com o Palacio Araguaia em 2022), obteve no ano passado na Capital 50,1% dos votos dos palmenses.
Janad, por outro lado, contaria com os 54,51% dos palmenses que votaram em Wanderlei Barbosa para governador na Capital no ano passado.
Como se vê: tem-se aí neste grupo os dois principais concorrentes e os maiores aliados. Se juntarem os dois grupos (algo de pouca probabilidade ainda que possível), projetará um chapão para 2026.
Se até lá a medíocre oposição de hoje não achar um rumo magnético ou um vilão no governo e na prefeita para poderem vestir-se de heróis como já tentam hoje sem qualquer fundamento teórico ou prático.


