O governador Mauro Carlesse é um dos 20 signatários da carta dos governadores divulgada no final de semana em apoio aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado da República.
Justificam o documento, como é notório, as críticas de Jair Bolsonaro a Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, que tem sido atacados diariamente pelo presidente, ainda que tenham colocado em pauta todos os projetos da Presidência.
Ambos defendem o distanciamento social, contra a orientação de Bolsonaro e em favor das recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.
A decisão de Mauro Carlesse, correta e de bom senso, implica no distanciamento, na questão do Covid-19, do Governador em relação ao que defende o senador Eduardo Gomes, líder de Bolsonaro no Congresso.
E é um balde de água fria na fervura de auxiliares diretos de Carlesse que tem compartilhado fotos de Bolsonaro (ontem publicaram uma com o Presidente vestindo uma camiseta onde lia-se Jalapão, assistindo uma live do Roberto Jefferson do mensalão, um dos maiores pilhadores de recursos públicos do país) e de suas esquisitices arbitrárias no Estado.
Leia a carta endossada por Mauro Carlesse.
CARTA ABERTA À SOCIEDADE BRASILEIRA EM DEFESA DA DEMOCRACIA
O Fórum Nacional de Governadores manifesta apoio ao Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, diante das declarações do Presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a postura dos dois líderes do parlamento brasileiro, afrontando princípios democráticos que fundamentam nossa nação. Nesse momento em que o mundo vive uma das suas maiores crises, temos testemunhado o empenho com que os presidentes do Senado e da Câmara têm se conduzido, dedicando especial atenção às necessidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios brasileiros. Ambos demonstram estar cientes de que é nessas instâncias que se dá a mais dura luta contra nosso inimigo comum, o coronavírus, e onde, portanto, precisam ser concentrados os maiores esforços de socorro federativo. Nossa ação nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios tem sido pautada pelos indicativos da ciência, por orientações de profissionais da saúde e pela experiência de países que já enfrentaram etapas mais duras da pandemia, buscando, neste caso, evitar escolhas malsucedidas e seguir as exitosas. Não julgamos haver conflitos inconciliáveis entre a salvaguarda da saúde da população e a proteção da economia nacional, ainda que os momentos para agir mais diretamente em defesa de uma e de outra possam ser distintos. Consideramos fundamental superar nossas eventuais diferenças através do esforço do diálogo democrático e desprovido de vaidades. A saúde e a vida do povo brasileiro devem estar muito acima de interesses políticos, em especial nesse momento de crise. Assinam a Carta:
Renan Filho (MDB), de Alagoas;
Waldez Góes (PDT), do Amapá;
Rui Costa (PT), da Bahia;
Camilo Santana (PT), do Ceará;
Renato Casagrande (PSB), do Espírito Santo;
Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás;
Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão;
Mauro Mendes (DEM), do Mato Grosso;
Reinaldo Azambuja (PSDB), do Mato Grosso do Sul;
Helder Barbalho (MDB), do Pará;
João Azevêdo (Cidadania), da Paraíba;
Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco;
Wellington Dias (PT), do Piauí.
Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro;
Fátima Bezerra (PT), do Rio Grande do Norte;
Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul;
Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina;
João Doria (PSDB), de São Paulo;
Belivaldo Chagas (PSD), de Sergipe;
Mauro Carlesse (DEM), do Tocantins.


