Sábado, 24 de Out de 2026

Enquanto os outros descansam, Dimas vai reunindo o partido e cimentando sua candidatura ao governo

luizarmandocosta 08/08/2020 345 visualizações

O prefeito Ronaldo Dimas faz nova movimentação política do partido que preside no Estado (Podemos) neste sábado. Anuncia a participação da presidente nacional da legenda, deputada Renata Abreu. Pretende-se reunir 200 pré-candidatos. O objetivo público é dar-lhes orientações sobre planejamento de campanha.

Pragmaticamente, o encontro visa a dar fôlego ao Podemos e alimentar o projeto do partido de disputar o governo daqui a dois anos. Mais prefeitos e vereadores, mais musculatura política. Onde Dimas, por lógico, deverá ser o candidato, retornando o eixo desviado em 2018 quando terminou atropelado pelo então senador Vicentinho Alves, no PR, presidente do partido. No Podemos, Dimas tem o próprio partido. E o filho, Tiago Dimas, deputado federal.

Dimas tem feito um trabalho reconhecido como competente em Araguaína. E do ponto de vista partidário, sua sigla é praticamente a única a estabelecer um calendário de movimentos com método definido. Este ano já é o segundo grande encontro do partido enquanto os demais navegam na maionese. Dimas, engenheiro pragmático, não deixa a régua de lado.

Tem pela frente, entretanto, pelo menos duas questões a enfrentar: na primeira, disputa com o senador Eduardo Gomes o protagonismo bolsonariano no Estado. Leva desvantagem porque a maior liderança nacional do partido, Álvaro Dias, tem aberto oposição a Jair Bolsonaro. E, não menos relevante, o líder de Bolsonaro no Congresso (Gomes) tem pretensões ao Palácio Araguaia.

E em segundo lugar, Dimas tem a difícil missão de reverter em boa parte dos líderes do Estado um conceito que ele próprio construiu, de forma voluntária ou não: de supostamente não honrar acordos políticos e, portanto, não ser confiável nas tratativas, como ocorreu com César Hallun e Kátia Abreu em 2018. Na mais recente, Dimas deixou Kátia para apoiar Mauro Carlesse (na Suplementar) e depois (nas eleições gerais) deixou Hallun para apoiar Irajá Abreu dizendo-se compromissado com a Senadora. Nada que uma reflexão não corrija e explicações adequadas o refute.

De resto, inteligente, sem maiores problemas com a Justiça e articulado, com trabalho demonstrado, se conseguir mudar o perfil burocrático e certo modo elitizado que transparece, pode surpreender em 2022. Especialmente se conseguir passar incólume pela crise da Covid-19 onde seu município registra o maior número de casos e mortes do Estado. Aliás, idêntica situação do presidente que defende com os 100 mil mortos que o país pode registrar neste sábado.

Um turbilhão. Mas Dimas já demonstrou que é bom de cálculo.

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