Enquanto golpistas seguem no descumprimento criminoso de decisão do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Militar do Estado se limita a monitorar os bloqueios que fecham rodovias e isolam a Capital. É o que a Corporação tem informado em suas notas oficiais.
Cumpre, com prazer inaudito, a omissão do governo no desbloqueio de vias no restabelecimento da ordem constitucional determinado pelo STF. Enquanto eles observam os crimes sendo praticados, aumenta o número de pontos conflagrados.
O movimento contemplativo do Palácio impõe aos cidadãos restrição do direito constitucional de ir e vir e o acesso a produtos essenciais como combustíveis, medicamentos e alimentos que já dão sinais de escassez.
A reação dos outros governadores no país, com o deslocamento de tropas de choque contra os golpistas, ilumina a opção vesga do Palácio que, entre a ordem legal e criminosos, escolheu ficar com o crime e trata-lo como expressão democrática.
Os formuladores políticos do Palácio sabem perfeitamente o que dispõe a Constituição da República e a sentença do ministro Alexandre de Moraes, referendada pela maioria dos ministros da Corte.
Mas diante do desrespeito à Constituição e ao cidadão, optou pelo populismo mais barato, à maneira bolsonariana, com a criação de um grupo de segurança que tem, na prática, a finalidade de empurrar com a barriga a situação.
E sair informando que respeita a democracia e a liberdade de expressão contra golpistas que fecham rodovias e depredam o patrimônio público. Quando há uma sentença do STF a ser cumprida.
Uma bola fora fenomenal do governo. Até porque mais de 90% da produção do Estado é transportada por rodovias. Elas é que sustentam um Valor Bruto da Produção estadual de R$ 17,185 bilhões. Ou seja, algo próximo de 40% do PIB do Estado.
O movimento golpista leva prejuízo também ao agro que defendeu Jair Bolsonaro no Estado. De janeiro a setembro deste ano, ele exportou R$ 12,4 bilhões (US$ 2,432 milhões). Destes, R$ 10,5 bilhões (US$ 2.060 milhões) de carne e soja que são transportadas de rodovias até os terminais.
Como é lógico, o fechamento de rodovias levará a outros custos ao cidadão. Isto porque há produtos perecíveis, haverá perdas aos produtores que as repassarão ao consumidor. No Sul, já começa a faltar derivados do leite, aumentando o valor do produto nos supermercados.
Nos postos de combustíveis, ontem já aconteceu um reajuste de combustíveis. Com a diminuição da oferta, os postos irão aumentar os preços em função da relação oferta e procura. Situação que irá parar nos cofres públicos também, já que produto que não circula não gera arrecadação.
Mas o governo viu que a intervenção disto tudo aí por contrariedade do resultado das urnas e pedido de intervenção militar, é apenas o exercício de livre expressão.


