Leio no Jornal do Tocantins deste domingo que a prefeita Cínthia Ribeiro decidiu confiscar mais R$ 2,1 milhões em itens para o combate ao Covid-19. Não há ilegalidade e a medida, na falta de prazos, é decisão mais que defensável: uma necessidade imediata.
Implica constatar que Cínthia não está paralisada pelo Covid-19. Mas pode estar anestesiada por outra espécie de vírus de que acomete gestores e políticos com mandato. E aí, a lógica política determina, pode enfrentar resultado adverso.
O gelo imposto aos secretários demitidos há nove dias (exonerações publicadas no DO do município do dia 3 de abril) e não readmitidos até este domingo, pode levar outros problemas à prefeita que não políticos.
Na Infraestrutura, por exemplo, que administra um contrato de R$ 300 milhões (60 milhões de dólares) com a CAF, a Secretaria não tem sequer quem responda pela pasta há uma semana. Juros são diários. É provável que os banqueiros e o TCE já estejam de olho.
Nas outras pastas segue o mesmo. O que não deixa de provocar uma reflexão: a Prefeitura da Capital sob o comando de Cínthia (que não tinha experiência alguma de administração pública, gestão fiscal, estas coisas) foi reconhecida como uma das administrações mais eficazes do país (seja do ponto de vista fiscal, competitividade, infraestrutura, saúde, como de bem-estar proporcionado à cidade) por diversas entidades de reconhecida credibilidade em gestão fiscal.
Com este secretariado que está aí. Ou estaria. Ou poderia estar aí novamente. Ou não. Seja qualquer tempo do verbo, pretérito, futuro do pretérito ou futuro do subjuntivo, escolha aí o tempo verbal.
Em apenas dois anos no cargo. E sem qualquer experiência em outro mandato que o antecedesse. Como uma iluminação, uma revelação divina. A razão indica que manter o desempenho (num território árido de técnicos experientes como ela havia reunido) seria a melhor tática da prefeita diante da musculatura eleitoral ainda não comprovada pelas urnas e inexperiência prática com entendimentos políticos com lideranças. Algumas muito distante de seu patamar social.
Como se nota, o desempenho, se teve influência nas determinações da prefeita, ele se deu, na prática, pela competência dos secretários que guardam, agora, um molho da prefeita.
Como se a Prefeita tivesse à disposição técnicos do mesmo nível à mão. Ou então que a prefeita não estivesse satisfeita com o desempenho e desejasse trocar secretários por outros que considere mais competentes. Uma prerrogativa da prefeita assim como lhe são de direito, única e exclusivamente, as consequências de seu uso.
Em ambos os casos, já provocou rachaduras. Aqueles que não serão reconduzidos tem possibilidade de fazer-lhe oposição pelo gelo (que talvez não o fizesse se fossem apenas exonerados) e o que forem reconduzidos, assumirão com um pé atrás.
Uma insegurança provocada pela própria prefeita sem correspondência com os fatos já que em larga medida os secretários exonerados (e à espera de nomeação) demonstraram eficiência carregando (além do peso dos anos de política) a administração de Cínthia até aqui.
E estamos a menos de seis meses das eleições em que Cínthia pretende renovar o mandato que recebeu com a renúncia de Carlos Amastha.


