As concessionárias de energia ficaram quietinhas quanto o governo decidiu suspender o corte dos consumidores por um período na pandemia. Como era esperado, o troco viria depois e, da forma como se movimentam os políticos, nada decorre do acaso.
A conta de energia no Estado já está mais 7,17% mais cara a partir deste sábado. É o maior reajuste dentre os autorizados pela Aneel a concessionárias no país em nove Estados. Antes, um lembrete: o Tocantins perdeu um rio (rio Tocantins) para três grandes hidrelétricas (Peixe/Angical/ 498,75 MW – Lajeado/902,5 MW-Estreito/1.087 MW). E tem hoje uma das tarifas mais altas dentre as 102 concessionárias em operação.
Os empresários (não sem o aval de deputados federais, senadores e do governo federal) e escorados na sua agência de regulação (Aneel) metem a mão no bolso do consumidor (na exata proporção em que detonam o meio ambiente), amplificam compensações (que não cumprem) e fazem isto:
Uma conta real de um consumidor no mês de junho no valor de R$ 580,90.
Distribuição (da concessionária) – R$ 188,41 (27%)
Encargos setoriais (concessionária) – R$ 19,79 (3,42%)
Transmissão (concessionária) – R$ 17,09 (2,94%
Impostos (consumidor/paga) – R$ 198,04 (34,09%)
Compra de energia (consumidor) – R$ 183,55 (31,80%)
Ou seja, a energia efetivamente consumida custou R$ 183,55 mas o consumidor pagou R$ 580,90. Só deveria 31,5% da tarifa mas paga 100% porque os custos e os impostos os empresários jogam na sua conta.
Não à toa a Energisa Tocantins registrou uma receita operacional bruta de R$ 479 milhões no primeiro trimestre de 2020. E uma receita operacional líquida R$ 338,5 milhões. O que sugere uma receita líquida anual de R$ 1,3 bilhões. Com o número de consumidores cativos saltando de 589 mil (2019) para 601 mil (2020) – 254 mil residenciais.
No período as receitas de energia elétrica (deste mercado cativo) renderam-lhe R$ 379,1 milhões contra os R$366,3 milhões de igual período em 2019. Um crescimento positivo nas receitas de 3,5%.
E um ativo de R$ 2,9 bilhões no dia 31 de março de 2020 (patrimônio líquido de R$ 767 milhões).
Por tantas, já há um abaixo assinado nas redes sociais neste sábado contra o reajuste abusivo da tarifa de energia elétrica no Estado, com a finalidade de busca judicial para o aumento em plena pandemia, quando os consumidores tem problemas de rendimentos.


