O encontro ontem entre o governador Mauro Carlesse e a prefeita Cínthia Ribeiro aponta um erro e dois acertos. Estes sublinhados de maior relevância, por constituírem-se avanços institucionais, civilizatórios e políticos, que aquele fincado em conceitos recheados de anacronismos.
Impõe a descoberta da necessidade de ações conjuntas entre o governo estadual e a prefeitura municipal, a dedução lógica de que fora equivocado o desencontro dos cinco meses de corda esticada enquanto a pandemia avançava. Induzindo à conclusão necessária, agora, de que tivesse sido produto de reflexão tanto política como administrativa a distensão da dissensão.
O erro aceito é mais fácil de ser compreendido e de despertar compaixão, concedendo a ambos uma espécie de indulto correspondente às mortes e contaminados que suas ações administrativas poderiam ter evitado tivessem buscado um armistício no início da crise. Dinheiro e motivos não faltaram.
Do mesmo modo que não só a percepção do erro mas, fundamentalmente, a vontade política de repará-lo que os movimentos pragmáticos e também práticos dos dois expõem após o encontro, traduz maturidade política e administrativa da prefeita e do governador.
Não importa se o encontro teve impulso eleitoral. Se ocorreu, que bom que deu certo. Haveria, também, aí, crescimento, dado que deixar a inércia e agir, no caso em questão, é a diferença entre a vida e a morte do cidadão. Algo que está parado, a menos que seja perturbado, ficará sempre parado. E paralisia da sociedade política na Covid-19 é a negação de um direito do cidadão.
As razões para ele são inequívocas e se dele sobrevierem dividendos políticos a um ou outro, a este ou aquele grupo, que o seja, nada ilegítimo. Chefes de Executivo representam correntes políticas e foram eleitos para executar ações públicas de forma legal mas à régua de suas propostas partidárias. Afinal, foram eleitos por suas propostas.


