O governo, não restam dúvidas, atacou os problemas na rede pública de saúde. Um dos pontos positivos foi a redução da espera de cirurgias eletivas.
Ainda há gargalos e equívocos, como apontam MPE e Defensoria de forma recorrente. Mas o atendimento é melhor do que dos governos anteriores.
Deveria, justamente por isto, preocupar-se em não cair em armadilhas de fim de ano quando gestores intensificam prestação de contas. Não raro para manter-se no cargo.
Divulga-se nesta segunda que o governo teria investido “mais de R$ 2,6 bilhões em ampliação de unidades e serviços de saúde em 2024”.
É aquele negócio de confundir, propositadamente, substância e mistura. Uma alquimia de transformar uma mistura heterogênea em homogênea. E que não se materializa apenas por pressão, fusão ou ebulição política.
Basta buscar o Portal das Transparências desta segunda para ter noção das propriedades físicas dos tais R$ 2,6 bilhões.
O governo empenhou na saúde (Fundo Estadual de Saúde), na verdade, até hoje o montante de R$ 3,017 bilhões. É muito.
Para efeito de comparação, Wanderlei Barbosa recebeu o governo em 2021 com empenhos na saúde de R$ 1,611 bilhões.
Entre 21 e 24 (a 15 dias do encerramento do ano) já aplicou 87,2% a mais do que o total de 2021. A inflação no período pelo IBGE foi de 14,69% (até nov/2024).
Daqueles R$ 3,017 bilhões do Portal das Transparências desta segunda, entretanto, R$ 1,668 bilhões foram gastos com salários.
E outros R$ 1,264 bilhões com outras despesas correntes. Um custeio, portanto, de R$ 2,932 bilhões.
Os investimentos empenhados somam apenas R$ 84 milhões. Mas a publicação desta segunda mistura tudo e mostra que foram R$ 2,6 bilhões em investimentos.
Devem apostar, equivocadamente, na dificuldade de entendimento da população. Afinal, tudo teria sido na saúde mesmo!! Mas não é assim.
O custeio, por exemplo, é despesa obrigatória.Algumas de caráter contínuo.De outro modo: o governo não tem outra opção que não realizar. Outras são vinculadas.
Ao publicizar que investira R$ 2,6 bilhões na saúde o governo pratica uma equação em que toma o todo pela parte. Uma metonímia mal construída.
Investimento, afinal, não é custeio. Nem vice-versa. Obviamente, no investimento se acrescenta, no custeio se mantém ou se corta.


