O governo publicou no Diário Oficial da noite de ontem Comparativo de Receita/Despesa orçada e realizada em 2023.
A publicação se dá 23 dias após a publicação do Balanço Orçamentário (29 de janeiro de 2023).
Nem Fazenda ou Planejamento dão maiores explicações sobre as alterações. No governo, aliás, se o desempenho fiscal é digno de nota, a transparência não segue o mesmo curso.
Secretários correm e se fecham em copas para repassar informações à população. Uns por medo de retaliações no próprio governo. Outros por vontade política mesmo, num claro desvio de função.
No balanço publicado ontem, a receita realizada continua a mesma: R$ 16,235 bilhões. Um superávit de R$ 1,470 bilhões.
Igual valor das despesas (R$ 16,235 bilhões) que lá registrava-se todas empenhadas, liquidadas e pagas.
Dentre as despesas, destacava-se os investimentos (1,571 bilhões empenhados) e com salários: R$ 8,256 bilhões (brutos).
No balanço publicado ontem, mantém-se as receitas (R$ 16,235 bilhões), aumenta-se as despesas de pessoal para R$ 9,258 bilhões e reduz-se o valor que teria sido aplicado em investimentos: R$ 1,300 bilhões.
Nestes, enquanto no balanço de janeiro registrava-se restos a pagar de R$ 388 milhões, no publicado ontem vê-se um saldo orçamentário positivo de R$ 342 milhões.
Ou seja, em um mês as despesas com salário de 2023 tiveram uma correção a mais de R$ 1 bilhão e os investimentos perderam cerca de R$ 270 milhões.
As dúvidas poderiam não existir? Poderiam! Desde que o governo apresentasse ao distinto público as razões da variação quando o balanço deveria ter sido publicado até 30 de janeiro.


