Sábado, 24 de Out de 2026

Em evento onde produtores se dispõem a bancar asfaltamento de rodovia pública para escoar produção, governador destaca importância do investimento que cai quando receitas sobem!!!

10/04/2022 1020 visualizações

Enquanto o mundo gira, a lusitana roda. Iniciamos a semana como terminamos: no mais do mesmo. Quer ver? O governador Wanderlei Barbosa foi ao Ministério da Infraestrutura para – segundo divulgou a imprensa – apressar a federalização da TO-050. O projeto é relevante e necessário. Wanderlei faz o correto, busca saídas e entradas. Muto embora talvez a concessão fosse mais em conta para o Estado. Até o governo federal aderiu às concessões no país.

O leitor deve, com razoáveis motivos, ficar pensando: que patuscada é essa?  O governador não tinha já federalizado? Os portais e TVs não divulgaram que ele tinha federalizado? O que teria o governo federal com isto? Wanderlei federou, tá federado!!!! Calaram-se todos ou porque não perceberam ou justamente porque perceberam o equívoco que dispensava maiores explicações.

É claro que seria mais em conta: erramos. O governo não federalizou a rodovia. Os deputados é que aprovaram o governo a iniciar as tratativas com o governo federal. Como também o fizeram Marcelo Miranda, Sandoval Cardoso e Mauro Carlesse. Caso contrário, teríamos rodovias federalizadas sendo novamente....federalizadas. Ou seja, o governo estaria praticando um crime. No popular, vendendo um mesmo produto duas vezes.

Sigamos: a comunicação do governador Wanderlei Barbosa declarou ontem (conforme publicado no portal de notícias do governo) isto aqui, atribuindo-o ao governador em evento também ontem: “Investimentos em infraestrutura são necessários para melhorar o escoamento da produção”.

Ganha um prêmio da mega se achar um contrário. Ora, se o produtor precisa de rodovias/ferrovias/hidrovias e estas são infraestrutura que só se implanta com investimentos....Lógico é que sem investimentos não existiria infraestrutura e portanto escoamento da produção!!! A não ser que tenhamos um Deus do escoamento que como um raio, Shazan!!!

A declaração teria sido dada na sede de uma fazenda (Rio Galhão) na Chapada das Mangabeiras. Região em que, conforme o governo, 25 produtores (em 100 mil ha) movimentariam R$ 150 milhões por ano. Nada irrelevante.

O escoamento dessa produção (e do Oeste da Bahia) é feito, no entanto, por rodovias – grande parte delas no Tocantins – até encontrar os trilhos da Norte-Sul ou a BR-153 até os portos mais próximos: Via do Conde (PA) ou Itaqui (MA).  Uma produção de grãos (safra 2021/2022) de 28,2 milhões de toneladas (9,8% do país) em 8,4 milhões de área plantada.

E o que se viu ontem: na mesma região (só que no Jalapão) foi produtores se comprometendo com o governo a asfaltar  60 km da Garganta até Dianópolis, ficando o governo com os outros 14km. Ou seja, na falta da ação pública e sabendo que só intenção política não escoa produção, os produtores vão cuidar dos seus problemas que, na verdade, são do governo para os quais arrecada impostos. O Estado tem, por sinal uma das maiores cargas tributárias do país e um dos orçamentos per capita maiores entre os 27 Estados.

A eles, de prático, na verdade, o governo não tem nada a apresentar o que tornam vazias e sem sentido, a priori, as platitudes e declaração de intenção do Chefe do Executivo estadual. O governo aplicou em investimentos (onde se encaixam as rodovias) este ano apenas R$ 55 milhões (liquidados).

Só 4% dos R$ 1,4 bilhão previstos para o ano quando deveria ter aplicado 3/12 (R$ 116 milhões/8%). Projetando no ano, seriam R$ 464 milhões, seguindo a inércia de 2021 quando aplicou apenas R$ 554 milhões (42%) dos R$ 1,3 bilhões previstos.

Por outro lado, o governo viu aumentar a despesa de pessoal em R$ 152 milhões (9,5%) no primeiro trimestre de 2022 comparado com igual período de 2021 (R$ 1,590 bi/21 e R$ 1,742 bi/22) – período com promoções e data-base suspensas - e em R$ 122 milhões (28%) as despesas de custeio (R$ 435 milhões/21  R$ 557 milhões/22).

Desempenho que se viu nas receitas. Foram R$ 2,728 bilhões no primeiro trimestre de 2021 contra os R$ 3,309 bilhões do primeiro trimestre de 2022. Um crescimento de  R$ 578 milhões (20,9% contra inflação na casa dos 10%). Ou seja, não faltaram recursos para os investimentos, no que contraria a prática da teoria governamental. 

É um problema ou uma estratégia criada por Wanderlei? Claro que é não. É a mesma utilizada por todos os governos nestas três décadas e que justamente por isto mesmo proporcionou a atual situação de pobreza do Estado, com imensas riquezas nas mãos de uns poucos. A teoria/retórica substituindo a práxis e prática, contrariando a regra de que, de uma razão ao seu efeito, vigora a consequência.

Não é, portanto, impõem os números da execução orçamentária, indicativo de que o governo priorize infraestrutura ou que sustente o discurso eterno (não só deste governo, que se note) em sentido igual.

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