O deputado federal Eli Borges, que já cometia sua retórica primitivista desde a Câmara de Palmas não avançou em três décadas de Legislativo: escalou sua falta de discernimento entre cargo público e religião agora em nível nacional.
Escolhido líder da bancada evangélica na Câmara dos Deputados expôs em nível nacional (UOL deste domingo/https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/02/ha-muita-gente-boa-presa-apos-o-81-diz-novo-presidente-da-bancada-evangelica.shtml) sua ignorância da Constituição e do estado democrático e de direito.
Melhor: não é ignorância porque o parlamentar não é idiota, antes ser eleito deputado federal foi vereador por três mandatos e deputado estadual por outros quatro. Ou seja, mandatos dão-lhe o perfil mais de um neócio do que de um beócio.
E olha que Eli é uma boa pessoa, muito embora tenha recebido muitas críticas no início da carreira política. Especialmente suas relações pessoais e patrimoniais com o poder público. Mas nada que o desabonaesse. Seu pensamento político, entretanto, não pode ser negligenciado em função de afetos.
Com efeito, agropecuarista e deputado elevou seu patrimônio em 16 anos (desde a posse no Legislativo estadual) em 377%. De R$ 710 mil declarados à Justiça Eleitoral em 2006, passou para os R$ 3,572 milhões do ano passado.
E que se note: ele não está isolado no pensamento anacrônico. Os escândalos de evangélicos no contubérnio no governo Jair Bolsonaro estão aí em carne viva.
Declarou o pastor que os baderneiros de 8 de janeiro seriam uma minoria infiltrada que nada tinham a ver com a maioria cantando hino nacional na frente dos quartéis.
Só isso? Não!!! Blasfemou que as Forças Armadas exerçam o papel de atender ao clamor popular!!! E meteu a cara no porão: disse não ver nada demais os bolsonaristas pedirem intervenção militar após a derrota de Jair Bolsonaro.
Elencar os artigos da Constituição brasileira, do Código Penal e da Lei de Segurança Nacional é inócuo perante a retórica brucutu e desgarrada da realidade dos eleitores do Estado e do país.
No linguajar do seu mestre Jair Bolsonaro, phoda-se a democracia, os poderes da República e a Constituição que o deputado é contratado para defender e pelo qual recebe por mês R$ 33 mil de cota parlamentar (para gastar onde e como quiser), R$ 106 mil para contratação de pessoal (representação), R$ 4.253,00 para auxílio moradia e, claro, o salário de R$ 39 mil mensais.
De costas para os 700 mil pessoas que se encontram na pobreza e extrema pobreza no Tocantins e a maioria dos eleitores do Estado que escolheu a democracia ao projeto de ditadura que parece perseguir, ainda, o deputado evangélico.


